sexta-feira, 30 de dezembro de 2011

Resoluções de ano novo

Vou ser bem sincera: nunca fiz uma lista de coisas que devo/preciso fazer no ano novo, porque simplesmente nunca precisei. Esse ano, porém, comecei a (re)pensar certos conceitos, defeitos e necessidades e me propus a fazer a lista que quem sabe eu cumpra. Então aí vão alguns que eu considero bem urgentes:

01. Arrumar e manter meu guarda-roupa organizado.
02. Amenizar a impaciência, o ciúmes e o estresse em momentos de extrema desnecessidade. Tá que às vezes é necessário sim, pelo menos no meu ponto de vista.
03. Começar a cuidar da minha alimentação e emagrecer, urgente!
04. Focar minha atenção a escola e colocar os estudos no topo das minhas prioridades
05. Deixar de lado hábitos horríveis, tipo roer as unhas e sentar torta nos lugares. Minha postura agradece.
06. Parar de perder tempo com inutilidades. Internet só nos finais de semana.
07. Largar esse jeito reclamão e amargurado de levar a vida. Tudo fica tão melhor quando se tem uma visão mais leve das coisas.
08. Aprender a separar e antecipar tarefas. Nada de fazer tudo ao mesmo tempo e em cima da hora pra acabar malfeito.
09. Dormir oito horas diárias (à noite). Chega de faltar compromissos por falta de disposição.
10. Pôr na cabeça de uma vez por todas que passado nada mais é do que passado e que é lá que ele tem que ficar ou nunca vou ter paz na vida.
11. Aprender a cozinhar, de preferência decentemente.
12. Não deixar pra estudar na véspera, começar a levar a sério minha rotina diária de estudos.
13. Ampliar concepções. Pessoas babacas sempre serão babacas e não sou eu nem minhas dores de cabeça que vão dar jeito nisso.
14. Treinar e pôr em prática meu lado mais gentil e dócil com as pessoas. Essa tô pagando pra ver.
15. Parar de ver amor onde não tem. Sério, isso já passou dos limites.
16. Exercitar minha autoconfiança. Se eu não acreditar em mim, quem vai?
17. Controlar minhas angústias e medos antes que eles me controlem.
18. Escrever textos menos melancólicos, aliás, ser menos melancólica me cairia bem
19. Acrescentar mais espiritualidade na minha vida. Apesar de ser batizada, catequizada e crismada, ainda consigo não ter fé em certos momentos bem precisos, eu diria.
20. Aprender que ser uma pessoa boa não significa carregar a cruz dos outros e que dizer “não” quando necessário não é egoísmo.
21. Tentar ser amável sem parecer idiota. Taí uma tarefa difícil.
22. Parar de gastar tanto em papelarias com coisinhas que só vou usar uma ou nenhuma vez na vida. Isso serve não só para as papelarias.
23. Aprender a tocar violão. Se der tempo, nas horas vagas, quem sabe...
24. Parar de me decepcionar por tudo e por todos e aprender a arte de esquecer o que precisa ser esquecido.
25. Dar valor e ficar perto apenas de quem quer ficar perto de mim. Já foi o tempo de correr atrás de causas perdidas e carregar relações desgastadas nas costas, sozinha.

segunda-feira, 26 de dezembro de 2011

Vale à pena começar de novo

Depois de tanto andar de um lado pra outro, sem saber muito o que fazer, decidi por algo simples e ao mesmo tempo dificílimo: mudar. Não foi bem uma decisão, as coisas foram apenas fluindo e verdadeiramente eu senti essa necessidade. Nunca fui muito boa em esperar, então o que se pode imaginar é que estou querendo acelerar os processos sem deixar que tudo ocorra da forma natural. Porque eu sei que mais cedo ou mais tarde vai haver uma reviravolta, problemas se solucionam e outros surgem, mas é essa mania de querer estar sempre à frente que atrapalha.
Mal faço uma compra de livros e já estou fazendo uma nova lista. E se acabei de consertar um defeito num aparelho qualquer de uso aparentemente indispensável, já estou de olho num novinho em folha. Isso olhando pelo lado mais consumista. Já falei sobre o meu incomparável talento em estar sempre buscando algo pra me pôr pra baixo? Não espero nem um drama mexicano sair de cena e já estou trabalhando em outro. E confesso, bastidores é o que não falta pra tanta patifaria.
Prometi me tornar alguém mais organizada, cuidar mais de mim e ser alguém melhor para as pessoas ao meu redor também. Estou certa de que fui um completo fracasso em todas essas intenções, eu não só deixei meu quarto como também minha vida mais bagunçada. Larguei de mão meus projetos mais urgentes como aqueles de ser uma aluna mais dedicada e uma filha menos rebelde, deixei mofar num cantinho escuro minhas listas de dietas, produtos que teoricamente eram pra resolver o caso sério da minha pele e também resoluções sonhadoras de ano novo, sem contar que surrei meu coração além da conta. Se eu já era péssima em ouvir conselhos, isso se elevou para o máximo estado de autodepreciação. Olhando pelo lado positivo em meio a tanto dilema, posso dizer que o que restou foi apenas o que resistiu firme e forte e isso inclui pessoas. Graças ao meu bom senhor, ainda existem pessoas que lutam por mim e pelo meu quase extinto bom senso. O resto eu afastei, não fiz o mínimo esforço pra manter ou aproximar, devo ter perdido muitos afetos, muitos amores, bem como devo ter me livrado de muito problema. E fica a dúvida se eu me arrependi ou não. A única certeza que tenho é que não fiz nada que eu pudesse dizer que valeu, de verdade, o tempo transcorrido.
E o ano está aí, praticamente no fim e eu me dando conta de que pouco foi feito. Acho que todo mundo tem essa impressão, e se estou errada, desculpem o equívoco, mas adoro pensar que não estou sozinha nessa. Em imaginar que perdi boa parte do meu ano reclamando do quão a vida foi injusta comigo e remoendo dores que só agora sei, tão descartáveis. Deve ter servido de algo, porque me fez enxergar que, sem dúvidas chegou a hora de retomar, de crescer um pouquinho, deixar de ver tudo e todos com olhos de angustia. É preciso assumir as rédeas do que vai acontecer daqui pra frente, não dá mais pra confiar no destino, a vida não é misericordiosa pra ninguém e o que pode e deve ser feito cabe só a mim decidir e ter força para ir a luta. Dessa vez certa de que eu posso fazer algo realmente valer à pena.

quinta-feira, 22 de dezembro de 2011

Impulso vital

Foi bem mais do que passar de ano sem o pesadelo das recuperações, foi bem mais que finalmente poder repousar meus estresses diários numa esquina bem longe no passado. Eu quis ficar confinada na dor. A dor é humilde, a dor carece de apego, a dor é poética. Mas essa coisa aqui dentro é persistente. Não foram suficientes minhas batalhas internas em querer me esconder e isolar-me, impedir que nada cresça ao ponto de poder florir. Essa fuga, essa luta, elas não são irrefreáveis, tampouco duram pra sempre. Motivos pra sofrer aconteceram, veio uma onda de tristeza, pensei em tudo, menos na cura, na vontade de recomeçar, só encontrei segurança no meu próprio desamparo. E então quando os ponteiros do relógio parecem não fazer mais diferença, quando os dias parecem ser todos iguais, como uma espécie de milagre, renasce algo em mim e me revigora.
Foram os ares, as pessoas, os acontecimentos, faz diferença? Faz diferença alguns números a mais no calendário? Essa coisa que chamam de “tempo” que deixa tudo pra trás, que não espera nem pede permissão, só vai em frente, arrastando tudo com ele, levando pouca tralha na bagagem e se deixando à mercê do destino. Então é isso? Depois de tudo, a única coisa que eu deveria fazer era simplesmente esperar? De repente nem reconheço mais a pessoa que me olha frente ao espelho. Alguém tão cheio de marcas e poços que nem se digna à arte de se reconhecer. Pra quê se eu já passei por isso? Ponto final nessa história.
Se perguntarem, e aí, de onde vem tudo isso? A felicidade é tão mais generosa, tão mais gratificante e sim, prazerosa. Felicidade tem a ver com força de vontade, ímpeto de não se abalar. É sinônimo de recompensa e não tem garantia, muito menos prazo de validade. Felicidade é calor, coração acelerado e a beira do abismo. É inconsequência e envolvimento, não há como sair salvo. A felicidade, às vezes, é inevitável.
Acontece que eu não sei ser feliz sem arriscar pelo menos um dedo, não sei satisfazer o que prezo e acabo não agradando nem a mim. Eu não sei ser feliz sem pôr pelo menos uma vez a mão no fogo por alguém. Eu não sei ser feliz aguardando, não sei assumir rédeas. Não sei ser feliz sem ser sacana. Queria saber por que, mas não consigo gostar disso.
Eu olho pra trás e não gosto do que vejo. Olho mais atrás ainda e isso me enfraquece. Construir muros, demolir fantasias, esse foi o papel que me predispus a seguir e não vejo como posso estar enganada. Jamais considerei substituir ninguém na minha vida, nem apostar todas as cartas no meu futuro incerto, ainda guardo esse... defeito? De não conseguir criar muitas expectativas por nada nem ninguém. Se nem assim consigo me livrar desses venenos que me atacam diariamente, imagine se eu estivesse totalmente vulnerável, sem máscara, “casca”, como dizem, recobrindo esse poço de fragilidade que sempre fui.
Então cá estou eu tentando uma chance de recomeço. Deixei que novas pessoas tomassem significados diferentes, traçando comigo histórias diferentes, recriando novos espaços que eu nem sabia mais existirem. Novos lugares, novos ares, tudo que preciso, sobretudo para abandonar de uma vez por todas aquilo que me puxa pra trás e quem sabe despertar uma motivação melhor para escrever, pra pensar. Alguma forma de não mais viver relutando e simplesmente deixar levar. Acho que dessa vez não vou conseguir escapar da felicidade, e torço para não ter forças para continuar lutando contra ela.


"Vai passar, tu sabes que vai passar. Talvez não amanhã, mas dentro de uma semana, um mês ou dois, quem sabe? O verão está aí, haverá sol quase todos os dias, e sempre resta essa coisa chamada “impulso vital”. Pois esse impulso é, às vezes cruel, porque não permite que nenhuma dor insista por muito tempo, te empurrará quem sabe para o sol, para o mar, para uma nova estrada qualquer e, de repente, no meio de uma frase ou de um movimento te surpreenderás pensando algo assim como ‘estou contente outra vez."

segunda-feira, 19 de dezembro de 2011

Quando tudo começou

E alguma coisa dentro da gente sempre sabe quando é uma data especial. Sem querer ser melancólica, mas já sendo, eu me lembro, não exatamente como foi, mas me lembro de estar feliz de certa forma, por ter sido um dia que veio a marcar os anos seguintes. Pessoas entraram na minha vida, algumas se perderam no caminho, poucas realmente me fizeram chorar: dor ou alegria, pouco importa agora, acontece que se eu recordar demais, posso trazer à tona. Dor ou alegria. E sinto saudades. A época que constantemente meus espaços vagos estavam sendo preenchidos por algo a mais. Uma primeira vez, um novo amor, uma decepção, alguma surpresa de fazer o coração disparar incontrolavelmente. Foi uma era, sem dúvidas. E seu desfecho deu início a uma outra menos agitada, mais serena e sem tantos altos e baixos. Um meio termo que de vez em quando me faz sentir uma nostalgia alucinante de estar com os nervos à flor da pele novamente. Fico imaginando o que seria de mim se o significado dessa data nunca tivesse existido. Talvez estaria apanhando ainda mais da vida, eu não estaria tão preparada pra enfrentar certas situações e quem sabe pouco teria mudado. Sinto-me até meio realizada apesar de noites trancafiadas em quartos de apartamento por castigos eu me julgava desmerecedora. “Que culpa a gente tem em ser feliz?” Claro que toda felicidade tem seu preço e eu não importei de pagar o meu, mesmo que aquilo no momento tenha sido um pesadelo, hoje eu sei como valeu à pena. E veja só agora, nem corro mais tanto risco de ser posta pra fora de casa, quase nem faço mais coisas erradas, que tristeza! O sabor da minha juventude tem um gosto diferente no momento e talvez esteja melhor assim. Posso ter sido apenas uma criança tentando se encaixar num mundo de brincadeira que não me pertencia. Posso ter deixado de lado minha reputação, mas pelo menos eu estava seguindo no ritmo da música e enquanto a banda não parasse, estaria tudo bem. Pode nunca ter sido meu lugar no mundo, estar em ambientes proibidos com pessoas menos parecidas comigo do que eu percebia, mas não é isso que eu tenho comigo, e se eu é quem estiver errada? Não tenho vergonha, nem apego ao passado ou mágoa, só saudade.

Pelo menos o meu passado só me condena. E o seu que te prende?

quarta-feira, 14 de dezembro de 2011

Melancolia não dá ibope

Aos trancos e barrancos venho resistindo. Por falar nisso, nunca entendi muito bem essa expressão aos trancos e barrancos. Pelo que andei pesquisando, lá pela idade média a palavra tranco significava os saltos que os cavalos faziam nas competições sob os obstáculos e armadilhas. E a palavra barrancos fazia referência justamente às tais armadilhas. Então o ser humano ao longo do tempo, na sua insustentável não-leveza do ser, retorceu todo o sentido para atribuir em um simples verbete um tanto deprimente que é usado até hoje em textos profundos e sinuosos.
Sem mais delongas, o que quero dizer é que até mesmo eu, a rainha dos dramas mexicanos e dos finais infelizes para sempre, canso de ser atormentada todos os dias pelas minhas preocupações desnecessárias, por descasos que não me remetem mais e agravar problemas que de longe merecem ter o mínimo de atenção. Sem perceber a impossibilidade que as minhas tentativas de me fechar pro resto do mundo representavam, deixei que as decepções virassem um martírio cotidiano e de uma forma ou de outra, isso me esgotou.
Acontece que querendo ou não, a gente acaba criando anticorpos. E no ritmo que os problemas vão se alargando, a maneira de ver aquilo como um problema também muda e é preciso bem mais do que pequenas traições, desleixos e amores não correspondidos pra fazer o balanço da vida desandar. Chega uma hora que a gente perde o interesse. Desata os nós que puxavam contra maré e simplesmente segue em frente sem mesmo olhar pra trás.
Tanto que eu procurei mudar, tanto que eu quis me livrar de velhos hábitos infantis e agora posso dizer sem amargura que o passado é passado e foi bom enquanto durou. Não dá mais pra ficar se lamentando, isso destrói a gente e afasta o que é doce e bom. Minha mãe sempre me disse que coisa ruim atrai coisa ruim, comecei a passar longe de coisa ruim e se passo perto, nem olho pros lados. Procurar é o primeiro passo para aceitar os problemas. E sabe o que mais? Ando cansada de ser carga de dor e angústia, a partir de agora não alugarei mais ninguém com minha presença pesada e se for possível, nem a mim mesma.
"A vida é incontornável. A gente perde, leva porrada, é passado pra trás, cai. Dói,ai,eu sei como dói. Mas passa.Tá vendo a felicidade ali na frente? Não, você não tá vendo, porque tem uma montanha de dor na frente."

sexta-feira, 9 de dezembro de 2011

Apesar de

As minhas mãos sobre as suas fraquejaram, a conversa afiou e no embaraço da espera, até meu coração indeciso quis enfim descansar. Numa dança incoerente, onde a gente nunca sabia que passos seguir, eu pude enxergar que talvez tivesse mesmo chegado a hora de enfrentar a realidade que me separava da sua. Não somos mais aquelas crianças que não sentiam peso nem culpa por serem irresponsáveis, por se embalarem em ruas cinzentas e se misturar na noite embriagados em meio a tanto cativo e cervejas baratas. Não carrego mais a mesma bagagem, sei tão pouco da sua vida e só nos aproximamos vezenquando numa esquina após fazermos uma escolha errada, depois de trancafiarmos algum sentimento e perdermos o controle das situações que a vida nos impõe. Sempre sendo tão pouco generosa com a gente, ela, a Vida. Desse jeito destacado, porque ela, a Vida, toda Ela, tem a ver com Você. Você maiúsculo, em letras garrafais e neon. Inevitavelmente, por mais que não me importe, por mais que a razão grite pra ter sua liberdade, é tão pouca a paz que me permito ter. Falta coragem pra dizer que nunca mais, falta pulso pra admitir que o passado só é passado por um motivo. Falta parar de lembrar datas, de tecer lembranças e acomodar esse eterno estado de depreciação. E todas as vezes que senti falta, que chorei e me odiei por ainda me atrever a ter saudade. As suas frases cheias de adeus ou na falta deles, eu deixei de me importar. Que te ver em dias não tão amistosos pode ser estranho, doloroso e que tenha no ar a impotência de um último encontro. Posso criar uma farsa bem ousada de que não me incomoda mais seus silêncios e que não vejo seus gestos como uma tentativa de chamar minha atenção. É certo que não dançamos mais a mesma música, nem estamos mais nas mesmas fotos, nossas vidas podem estar reviradas pro lado contrário, mas continuo a pensar que de alguma forma meio telepática, espiritual ou astral estamos interligados nessa relação incorrigível.

quarta-feira, 7 de dezembro de 2011

Feliz ano velho

Minhas férias começaram bem, talvez não tão bem por causa daquele chororô de fim de ano, as despedidas de cortar o coração. Quem passou por média passou, quem reprovou, sinto muito – eu agradeço por fazer parte do grupo dos inteligentes da sala, o que claro, não me inclui, mas ainda assim é muito bom, porque ninguém merece fazer parte do grupo das sirigaitas ou das desmioladas – com todo respeito, por favor, não me interpretem mal, isso aqui não é nenhuma referência a exclusão social.
O que quero dizer é que, pelo menos no início tinha um quê de emoção, o que nesse momento não é o caso. Quem era pra ir embora já foi, quem era pra viajar já viajou. Mas infelizmente eu não tenho muitos parentes fora, e os que tenho moram num interior mais interior do que aqui, então tenho que me contentar e esperar até o Natal para bater as asinhas e me livrar desse projeto de fim de mundo. Mais uma vez, não é querendo menosprezar essa cidade tão amada, principalmente pelos meus velhos conhecidos que ocupam cargos apreciados na prefeitura. Enfim, estou me dispersando muito, culpa do ócio.
O mais triste foi ter que lidar com as despedidas. Achei que seria difícil, no fim foi mais desesperador do que o imaginado. Em pensar que esse foi o último ano para levar as coisas mais ou menos na brincadeira – e eu nem levei! Fiquei o tempo todo reclamando, fui irresponsável, porque não aguentei a pressão sob meus ombros e por pura falta de motivação. Mudei meus hábitos noturnos drasticamente. Se antes eu curtia a vida num total estilo top na balada, agora eu me restrinjo a filmes, livros, doces, música e lógico, muita escrita. Word que o diga. Coitado, ouviu muita choradeira. E agora que acabou, estou coberta por nuvens de arrependimento e louca da vida pra começar de novo. Total desperdício. Acho que vou sentir falta desse ano mais pelo que ele não foi.
Apesar desses momentos que caio na real e sofro dores de cotovelo maiores que aquelas que tenho nas costas por não me sentar direito, finalmente tenho aqui comigo uma espécie de paz. Quem diria! Não é que eu consegui? Não foi esforço nem tentativa, apenas o tempo, amigos. Ele pode até não curar, mas tira o incurável do centro das atenções. Clichê mode on agora, mas clichê só é clichê por uma razão: porque é verdade.
Esse era um texto pra falar dos meus planos pra esses dois meses antes de voltar à guerra, mas como sempre, tudo acaba na mesma coisa chata, eu. Queria falar sobre meu tédio terrível, mas só consigo pensar em solidão, sem contar que tenho problemas bem sérios pra resolver como o meu celular que come todos meus créditos quando faço recarga ou meu notebook que viciou na tomada e o som está com defeito há meses, bandido! E também o meu guarda-roupa que desde não sei que era não é arrumado, tampouco atualizado. Coisas simples que estão me incomodando de uma maneira angustiante. Sim, atualmente estes são os meus maiores problemas, acho estou me tornando uma criatura fútil, Deus me proteja.
Acontece que eu sinto estar verdadeiramente pronta para mudanças. Não me arrependo de ter alterado aqueles gostos juvenis e tentar ser sociável, aquilo era um saco e ainda bem que eu superei e percebi que de forma alguma me enquadraria. Agora que já achei meu lugar no mundo, é só aperfeiçoar e seguir em frente? Isso mesmo, seguir em frente. Repeti isso tantas vezes esse ano que chega a soar até um pouco artificial, mas é pra valer dessa vez e vai ser pra valer.

segunda-feira, 5 de dezembro de 2011

É sempre amor mesmo que mude

"I love you so much. So, so much, and I probably always will. I just don't like you anymore."


Um dia me perguntaram o que exatamente nós éramos. Maneira meio anormal essa da gente conviver, não me admira que as pessoas falem. Sei que em meio a controvérsias, na nossa relação permanece um tipo de integridade. Ora aberta ora discretamente imprevisível. E fica claro que nessa luta de manter laços já meio desalinhados ninguém sai salvo, ninguém se convence ou cria esperanças, o que faz a gente se perguntar o porquê de ainda tentar. Talvez não esteja tão claro assim. Se fosse amor eu saberia as palavras certas pra usar, eu botaria pra fora tudo que me consome sem preocupação. Se fosse amor não haveria coração machucado. Nem esgotado. Mas e se não é amor, porque é que ainda estamos parados, procurando culpados, por que não simplesmente desistir? Ninguém se move. Ignoramos todas as vozes que nos dizem pra seguir em frente. E ultrapassamos as barreiras do bom senso para querer simplesmente por querer.
Não há um dia que eu não pense em nós e nossas histórias, as loucuras hoje extintas, apagadas sem que isso fosse escolha de nenhuma das partes envolvidas. Ainda espero que a gente se esbarre em qualquer lugar, aqui ou em Bucareste, tanto faz. Só espero que quando a gente se cruzar, assim meio sem combinar, “ao acaso” como se diz, não seja triste nem que o ambiente seja invadido de aflições ou mágoa e silêncio inquietante. Não espero que seja simples e fácil, não espero que seja como antes. Até porque perdi a capacidade de fazer coisas assim, drásticas demais, como esperar.
Eu costumava me lembrar de você como uma parte isolada da minha vida. Algo que de tão diferente e irreal não mereça se juntar ao resto – tão pacífico, tão eu mesma. Pode ser que hoje não saibamos reconhecer nada disso, nem possamos tratar como incondicional – o que admito, nunca reconheci ser. Até agora. Mas quando não há mais paixões a serem descartadas, quando a solidão aperta em dias cruéis e nublados, quando a ficha cai. É quando eu espero um sinal seu, uma ligação pra ouvir sua voz e que mesmo em meio a constrangimentos e falta de assunto, sempre se pode dizer que estava com saudade. E perguntar se está tudo bem, que será respondido com um vago sim, está, nada errado e com você. E vai disfarçando e fingindo que não é nada, quando na verdade é sim, e é bastante.

quarta-feira, 30 de novembro de 2011

Eu tô falando é de amizade

Nunca esperei encontrar estabilidade em qualquer relação de convívio que pudesse me trazer serenidade ou arriscar me envolver em algo que eu sei que minha autoconfiança não permite alcançar. Sempre gostei de estabelecer os prós e os contras antes de começar uma amizade com alguém. Sim, eu já fiz muitas análises a respeito de cada um de vocês, mas não sou paranóica, gosto de substituir isso por uma palavra mais bonita e poética como “insegurança” ou “precaução”. Fico me perguntando como mesmo assim eu ainda erro na jogada, tem gente que consegue me enganar bonito, mas tudo bem, é preciso acabar com esse medo.
Não faço ideia como certas pessoas entraram na minha vida, só sei que é muito difícil imaginá-la sem algumas delas. Eram apenas uns tímidos “olá, tudo bem” e “tchau, a gente se vê”, que virou de uma hora pra outra comentários mais dialéticos sobre filmes e livros, comunitarismo na hora de dividir as atividades do dia seguinte, vergonhas alheias compartilhadas em certos momentos insanos e análises viajadas sobre nossos estúpidos sentimentos frustrados.
Não que tudo isso seja sinônimo de uma verdadeira amizade cheia de perfeições, laços tão fortes que podem ser chamados de fraternos. É apenas uma leve semelhança a essa coisa toda que vemos nos filmes e nos dá vontade de criar essas pessoas como um suporte pras horas necessárias, só que é um erro pensar que é tudo sobre nós mesmos. Vocês, mais do que ninguém, me ensinaram que amizade não é algo que eu tenha que me apoiar, algo que eu tenha levar ao fundo do poço junto com todo o resto, é preciso não pensar só em mim. A partir do momento que eu passei a querer o bem de outros, o que era essencial pra mim, vira supérfluo quando estou com vocês.
Eu tive muito em que pensar. Não é fácil decidir quem é que deve ficar pra traçar um caminho com a gente. Não que eu tenha decidido algo. Boa parte não coube a mim, acho que se dependesse da minha boa vontade eu estaria sozinha e é aí que eu encontro maiores motivos para agradecer às pessoas que não abriram mão de me fazer sorrir – ou pelo menos tentar arduamente – nem quando eu dei razões mais que relevantes para fazerem isso. Talvez eu deva mesmo começar a dar mais atenção a isso, ao que interessa e é interessado, ao que me faz bem em proporções que eu nem sabia que era possível. Talvez eu deva começar a dar mais valor, sobretudo à simplicidade de pequenos momentos como uma tarde à toa sem nada pra fazer ou deixando tudo sem fazer, pelo simples fato que as preocupações podem ficar pra depois, mas as amizades não.
E ainda bem que eu tenho pelo menos essa certeza de que fiz algo certo. Pessoas maravilhosas ao meu lado, que me dão trabalho e irritam de vez em quando, mas que sabem poupar tudo isso na medida certa. E mesmo que nós percamos esse entusiasmo de juventude mais tarde, que fique guardado em algum lugarzinho da memória – sem desculpas de sequela de velhice – o que foi aprendido e as boas lembranças, pois eu acredito que esse tipo de amor não perde o brilho. Posso nunca ter procurado perfeição, mas sem dúvidas vocês chegaram bem perto disso.

sexta-feira, 25 de novembro de 2011

Inércia emocional

Sabe quando, de repente você começa a notar que tudo em volta parece estranhamente incapaz de enxergar sua presença como um ser existente e dotado de sentidos; de fala, audição, pulsação e que certa forma percebe quando tudo está totalmente virando as costas pra aquela imagem que até então era pra ser alguém, no caso, você mesmo?
Sem querer reforçar nenhuma teoria da conspiração, mas parece mesmo coisa de outro mundo isso de as coisas não funcionarem ao mesmo tempo. Já fiz remessas de cartas de despedida, joguei fora objetos que até então em guardava apenas por apego ao passado, despachei os meus pesos diários, minhas lutas intermináveis contra o desgaste interior por qual eu vinha passando. Desapeguei, limpei, mas não posso dizer que estou em paz.
O que explica essa mania de ficar insistindo naquilo que já fez mal e sabe-se que vai continuar fazendo? E não foi uma nem duas vezes. Repetidas, incontáveis são as vezes que já me peguei por correr atrás dessas pequenezas que eu julgo serem essenciais. Imagino se vai ser sempre eu, nessa maratona solitária de querer alcançar o inalcançável ou pelo menos manter aquilo que sabe-se lá até quando vou conseguir ter sem que escorra pelas mãos.
Pedi férias desses fardos que atrasam tanto minha vida, dessa rotina fatigada, de ficar pisando em ovos pra não ter que contar com a dor depois. Eu não sei mais o que fazer com tanto menosprezo e ofensas soltas no ar como se tivessem anticorpos dentro da gente pra fazer curar sempre que se despeja esses baldes de água fria que envolvem, amordaçam e fragilizam. Sim, meus amigos, eu não passo de um ser simples e frágil, que não ganha importância nenhuma, ou pelo menos é assim que se sente diante dessa inabalável indiferença dos outros. Mais parece como se quisesse confiar e buscasse isso com unhas e dentes, mas não dão razões e nem procuram isso de volta.
Ainda que eu aplique defeitos, contradições e frases mal faladas dentro do que chamam de motivos-pra-explicar-minha-reação-meio-alérgica-meio-repulsiva-com-o-resto-do-mundo, não vou entender como alguém que por um momento achamos conhecer a alma, vira um completo desconhecido de uma hora pra outra ou como podemos achar falhas e faltas nos dias mais felizes e o fato de se estar acomodado, mas sem nunca contentar-se. É o que se chama de inércia emocional. Venho sentido muito isso, acho que posso chamar assim, esse estado de constante conformismo que nada acrescenta, estimula ou inibe, e ainda assim, é inquietante. Quando não há nada pra fazer perder a cabeça, mas à noite te tira o sono. Quando o silêncio é mútuo e ainda assim se entende a mensagem. Quando o esquecimento que leva ao aprender é, na verdade, doer lá no fundo.

sexta-feira, 18 de novembro de 2011

Desapaixonadamente


Pedi tanto para que algo de diferente acontecesse na minha vida, algo que não fosse esse aperto desgastante no peito, o vazio que, de propósito, você deixou aqui. Nem por um segundo tentei me livrar das mordaças em que estive presa. Por que razão eu iria querer deixar pra trás o único elo que ainda tínhamos? Nem que fosse apenas dor, ainda era o que você tinha deixado pra mim. E abrir mão disso, impossível.
Nem sei se é uma confissão, mas estou aqui agora confessando que não ando mais chorando. Nenhuma gota de lágrima de tristeza por causa de você, tampouco de felicidade, porque veja só, alguma coisa aqui adormeceu. E por mais felizes que alguns dias possam ser, é sempre pela metade que eles terminam. Sem coração pulsando acelerado contra as cobertas da cama durante a noite, sem ansiedade por um novo dia. Não há nada para se esperar.
O telefone nunca mais tocou. Acho que as pessoas desistiram de animar alguém que não quer ser consolado. E a desolação, por mais triste que seja, às vezes consegue fazer algumas surpresas. Ontem eu senti um calor velho conhecido meu que me fez ter certa esperança de que nem tudo estava perdido. Será que a morte de um amor pode deixar brecha para um novo pintar? Não, meu bem, não é isso, eu ainda me sinto meio adúltera em pensar em uma nova paixão, veja só o quão ridícula sou. Algumas coisas nunca mudam.
Eu parei de me sentir feito um animalzinho ferido se escondendo pela escuridão afora, mesmo tendo certas horas da noite que sou pega tendo vislumbres seus. Só que saudade, eu nem sei mais se essa falta pode ser chamada de saudade. Uma parte minha sabe que não quer você de volta, mas outra insistentemente não desiste.
Sei que estou praticamente indo pelo mesmo caminho, tentando dar continuidade a algo que não vai se concretizar ou criando novas ilusões, tentando achar uma escapatória mais eficaz. Não é assim que funciona, nunca foi, então qual é o problema em desapegar dessa emoção dolorida e se entregar numa outra, ainda que irreal, mas que não envolva os meus sentimentos referentes a você? Acabei de me contradizer – de novo. Eu tinha deixado pra lá, era esse o acordo.
Vai se esvaindo então qualquer tentativa de aceitar, quem sabe, uma proposta duvidosa ou até mesmo oferecer algo que eu sei que não posso dar, tudo pelo prazer momentâneo, pela filosofia de vida que me propus a seguir “pisar nos outros antes que eles te pisem”. Eu costumava gostar de tudo isso, dessa despreocupação a favor de um estilo de vida mais casual, mas nem lembro quando foi a última vez que abandonei a segurança do meu lar para me embrenhar na noite da cidade, me deixar à mercê de correr riscos, me aventurar e não ter medo do dia seguinte. Você me envelheceu precocemente, meu bem.
E então por mais que eu queira uma novidade na minha vida, parece que sempre tem você, essa pedra no meio do caminho. Vou trancar em alguma caixa a mágoa que sobrou e jogar a chave fora. Posso seguir, talvez não tão tranquilamente, um pouco mais dolorida, bem mais dura, e com uma esperança amargurada de que talvez você ainda me encontre numa farra, no meio de vários novos amores de mentira e que sinta a mesma certeza que eu sempre tive: minha alegria nesse mundo nunca foi real sem você.

terça-feira, 15 de novembro de 2011

Enquanto isso, no mundo particular

E se eu decidisse optar pela desbanalização da realidade? Quem não entendeu, veja bem, você pode ser mais uma das vítimas dessa espécie conjuntiva de alienação em que o agradável não se une ao útil. Desde pequena fui levada a crer que quando crescesse iria ter um cabelo perfeito, roupas de alta categoria e um príncipe encantado. Culpa dos desenhos animados? Não sei. Acontece que foi frustrante acordar do sono sem que nenhum cara bonitão tivesse me despertado com um beijo de amor.
Esse otimismo detestável não para por aí. Como se não bastasse os vexames que tenho passado por minha própria conta, ainda tenho que lidar com essa bolha ininterrupta da hipocrisia humana. Pessoas colocando tudo a perder por motivos aparentemente sem sentido, indo pro fundo do poço por ligações não retornadas e promessas não cumpridas e jogando sua dignidade pro ar como se isso não tivesse a mínima importância em tempos como esse que o que vale é a garantia do sucesso próprio.
Não sei o que me causa mais repúdio, se são as séries de reclamações diárias cheias de frivolidade que alguns incansavelmente tentam colocar nos ouvidos alheios como se isso fosse muito importante pra sua sobrevivência na Terra. Ou se é o ideal que os outros querem passar de felicidade. Uma constante muito vergonhosa se quer saber. Não há nada de bonito na maneira descarada com que algumas pessoas se “divertem”, usando de uma travessura de mentira que só faz nutrir a própria ganância. Não estou falando de tocar a campainha e sair correndo, por mais que não tenha sentido nenhum em fazer isso, mas o que preocupa mesmo é o sangue frio que alguns têm em enganar pra se sobressair diante do resto. Um cara que mente pra sua mulher pra que nenhum dos egos saia perdendo, outro que pede perdão de joelhos na igreja sem fé nenhuma, sem contar aqueles que se iludem por si mesmos, realizando sonhos dentro da cabeça sem nunca ter coragem de arriscar.
E ainda me aparece gente pra falar de ética. Só sendo muito falso-moralista pra viver num mundo hipócrita como esse. Sem querer ser dona da verdade, é apenas minha falta de paciência falando, ela não suporta mais ver tudo de boca calada e eu não tenho mais capacidade nenhuma de tentar algo muito ousado tipo salvar o planeta, talvez eu esteja oficialmente me deixando levar pela tal bolha dos sem moral e tendo que considerar apenas os meus problemas que interessam somente a mim. É a força da influência, mas se tem uma coisa que nunca vai mudar é eu entrar em estado de aceitação.

sexta-feira, 11 de novembro de 2011

Ninguém pra ficar

É como se eu fosse sempre obrigada a fazer parte de um filme antigo que já enjoou. A cena se repete, o elenco é o mesmo, só mudam os personagens. A equipe de produção é incompetente o suficiente para não reparar os erros. Então eu fico de mãos atadas, sem saber muito que fazer a não ser assistir os danos que eu mesma causei pelo meu irreparável descaso, minha própria dívida de favores não devolvidos e afetos não retribuídos. De repente passo de atriz ruim de uma peça de péssima autoria para uma das poucas na arquibancada, que está ali por algum motivo banal ou porque foi obrigada, não importa, o fato é que estou louca para ir embora pelo simples motivo que não aguento mais um segundo de melodramas falsos, de desenrolares cheio de tédio com emoções limitadas e de repertório deprimente. Estou com medo de sobrar, vendo tudo escorrer pelas mãos, as pessoas saindo uma por uma, exaustas de tanto desaforo e demonstrações de apoio rudemente ignoradas. Talvez eu tenha me esquecido. Pode ter sido distração, falta de tempo, pode ter sido até comodismo. Posso também continuar enchendo linhas de desculpas esfarrapadas para meu excesso de falta de atenção e o egoísmo descontrolado que insiste em se vestir de capa preta e fazer pose de vilão me retirando de cena da vida de todos que eu tentei manter por perto, por ser algo construtivo e bom a se fazer, porque ainda é o que completa uma pessoa e dá sentido na vida dela: ter alguém por perto e do lado: sempre. Tive que deixar partir. Estar ao meu lado não é reciprocamente saudável quanto é pra mim ter outros como ponto de força ou qualquer coisa assim. Quero desesperadamente acompanhar as pessoas que saem murmurando frases de raiva, mágoa e até deboche, “ridículo” e ainda “que perda de tempo”. Alguns saem chamuscando de tanto ódio, outros mal contém o choro e penso que talvez seja por esses que ainda valha a pena dar motivos para retornar, ou quem sabe já seja tarde demais. Eu quero sair também, quero me livrar desse peso junto com todo mundo, não quero ficar sozinha, mas sou impedida, não se pode abandonar o próprio roteiro.

terça-feira, 8 de novembro de 2011

Outra noite que eu erro o destino


Tenho medo de entender o que suas palavras querem me dizer. O significado que elas deixam transparecer me dá a sensação de estar entrando num apartamento que não é limpo há dias, onde o chão está repleto de vários restos de jornais, nas paredes fotografias velhas e manchadas, no ar um cheiro de livros mofados misturado a um aroma quente de café. É um ambiente cheio de pequenos resquícios de que ali habita um ser notoriamente abalado. Então fantasio. Fantasio o que querem dizer aquelas palavras parafraseadas. Devo distorcer todo o sentido, mas é inevitável. Eu não sei lidar com a sua complexidade. Vou mais afundo, sou só mais uma nesse turbilhão de almas perdidas na própria existência. Volto pra casa depois de um dia comum, um dia qualquer como todos os outros, acendo as luzes fracas do pequeno cômodo e sento na poltrona desgastada ainda sem tirar a roupa molhada de chuva. Ouço as gotas grossas caindo lá fora e meu coração dispara ao som de um trovão. O susto me faz desmerecer umas pontadas nauseantes de insatisfação. A constante da minha vida é algo que talvez necessite mesmo de um pouco de mudanças e inventar desamores parece a coisa ideal pra se sair da rotina. E permanecer com esse gosto azedo na boca, com o sentimento de que nada nunca acontece. E pensar no que já foi perdido e no pouco que resta a se perder. Não deve ser muito. Oh, mas quanta amargura! Quis levantar-me dali, sair daquela droga de poltrona, daquela droga de vida. Olhar além das cortinas encardidas, os carros na avenida passando depressa, jogando água nos pobres desafortunados na calçada. Não devem estar melhores que eu, presumo. Quero pedir meu jantar, mas compreensão ou qualquer coisa do gênero não está no cardápio. Sou péssima em conotações, talvez devesse mudar de restaurante. As luzes da cidade estão embaçadas e não se pode ver além. Os feixes que atravessam a janela são abstratos e refletem uma moldura meio insalubre dentro do apartamento, como se eu precisasse de mais obscuridade. Canso daquela imagem superficial das vidas que não a minha e lembro do wisky ao lado da minha cama, ou será que é mais vantagem diminuir a pilha de obrigações que pairam em cima da escrivaninha? Penso se tenho alguma carta pra responder, ninguém me envia nada há meses. Minha caixa de e-mail está vazia, se não cheia de futilidades. Tenho alguém pra ligar? Teria, se você atendesse meus telefonemas. Não que eu já tenha tentado, mas algo me diz que é melhor esperar uma ligação sua, que eu sei que nunca virá. Meu consolo é tentar decifrá-lo todos os dias, por isso tem sido dias iguais, na fuga de saber algo meio vago e totalmente incerto. Os trabalhos podem esperar, vou deixá-los de lado, mais uma vez. A minha saída, já sei, não estar em cumprir obrigações, eu não tenho nenhuma se não em tentar me salvar. O wisky me espera como uma terapia ao final de cada dia. Dias iguais. Há tempos venho esperando alguma mudança, como algo parecido com uma reviravolta, mas única reviravolta é aqui dentro da minha cabeça. Feixes de luzes ultrapassando minha retina, cheiro de mofo misturado ao wisky, o vento frio fazendo um barulho meio mórbido por entre as aberturas da janela mal fechada e sinto novamente vontade de te ligar, mas tenho medo do que suas palavras querem me dizer.

sexta-feira, 4 de novembro de 2011

Seis coisas que quero fazer, que ainda não fiz

O final do ano tá chegando, o que nos torna um pouco mais inspirados pra fazer coisas que deixamos de fazer no ano que se passa, por isso cedi à proposta. Adoro fazer planos e não desisto deles facilmente, apenas em ocasiões específicas, como quando eu era pequena e tinha o sonho maluco de ser arqueóloga, porque era fascinada por dinossauros. Enfim, o que quero dizer é que meus objetivos mudam o tempo todo, mas também são muitos os que eu já fixei na mente “isso eu vou fazer, certeza”. Têm outros que eu não ouso contar pra ninguém, muito menos publicar, pois muitos me envergonham profundamente. E ainda tem aqueles que sempre prometo fazer e deixo pra mais tarde e nunca faço, mas isso é outra história. Foi bem difícil selecionar minhas prioridades, o que torna esse meme complicadinho. Mas vamos lá.

1. Ter um grande amor


Vou começar com o mais difícil, clichê e polêmico de todos. Acho que quem nunca teve ou tem esse sonho, tá fazendo viagem perdida na Terra. Muitas vezes já me revoltei com o amor e a simples menção dessa palavra me causa algo que eu nem sei o que é. Mas nesse ponto sou bem pensamento “século passado” mesmo, como dizem por aí. Quero ter um grande amor, não importando de onde venha, como seja, a única coisa que exijo mesmo é que seja pelo menos correspondido. Isso é fundamental, pois quero sentir pelo menos uma vez na vida o que é  isso que as pessoas tanto falam.

2. Passar uma temporada na Europa


Quem não quer? Passar uns dias curtindo as praias gregas, quem sabe até achar um deus grego (futilidades à parte), cavalgar nas lindas paisagens verdes da Irlanda – desde que assisti P.S eu te amo tenho isso na cabeça. Visitar o palco de grandes acontecimentos históricos tipo Alemanha e Itália, curtir a liberdade da Holanda, viver uns dias bem cri cris em Paris, brincando de ser personagem de clássico europeu em toda aquela paisagem romântica que a França tem. E o principal: conhecer a Inglaterra, que essa sim me faz ter suspiros de satisfação só de pensar em estar lá.


3. Fazer residência no Rio de Janeiro


Estou no segundo ano do ensino médio e essa, por incrível que pareça, é a coisa mais distante que tenho de realizar. Estão embutidos aí dois desejos, na verdade. Morar no Rio e passar pra medicina, fazer faculdade e depois passar pra uma residência (no Rio). Se tem uma coisa que eu aprendi, é acreditar nos sonhos. Não custa nada, não é mesmo?

4. Esquiar


Acho que essa foi a única coisa que nunca mudou. Desde que me entendo por gente tenho essa obsessão em pegar minha bagagem, ir pra algum lugar como Bariloche, Nova York ou Ottawa e me jogar na neve. Não sou nenhuma viciada em aventuras, mas pra esquiar eu correria qualquer risco. Nada deve se comparar aquela sensação de vento frio batendo no rosto e aquela imensidão branca ao redor, acho lindo mesmo, de verdade. Adoraria ir em família, mas meu pai se recusa a viajar de avião e não suporta frio. Mas nem que eu tenha que esperar alguns anos, um dia pago umas passagens e levo eu e meus filhos pra esquiar.

5. Morar sozinha


Todo mundo diz que a melhor época da vida é quando a gente mora com os pais, porque tem tudo na boquinha. Pois bem, quero provar isso por mim mesma. Acho que a liberdade compensa qualquer trabalho a mais que as desvantagens em morar sozinho trazem. E um pouco mais de responsabilidade não faz mal a ninguém. Ter um canto só meu poderia me ajudar em tarefas simples que eu ainda não sei fazer com precisão como cozinhar, saber os produtos de limpeza que tem que usar em cada situação e o mais importante: resolver problemas de grande porte, coisa que meus pais podem até me deixar cuidar, mas sempre tem aquele dedo desnecessário deles que muitas vezes me tira a paciência. Sem dúvidas essa a coisa mais urgente que devo fazer. Daqui um ano talvez eu realize esse sonho de “independência” que tenho tido à um bom tempo.

6. Me perder em Las Vegas


Não literalmente. Quero saber quem nunca sonhou em ir pra Las Vegas aos vinte e um anos com as amigas e perder a noção até mesmo de quem é. Só mesmo quem tem uma reputação a zelar e dá muito valor a isso, o que não é o meu caso. Lá eu poderia esquecer de mim por uns dias e perder tempo apenas curtindo a vida, fazendo tudo, menos o que meus pais me ensinaram desde sempre o que é ser “certo”. Queria um dia encher a boca pra falar “o que acontece em Vegas, fica em Vegas” e não vejo problema nenhum nisso, mesmo achando que é uma viagem que se faz uma vez por vida. Não sou nenhuma defensora assídua do politicamente correto, mas também acho que todo mundo tem o direito de se soltar de vez em quando e não consigo imaginar nenhum outro lugar com nome, endereço e fama pra se fazer isso de uma vez só e o melhor de tudo, sem ser julgada.

sábado, 29 de outubro de 2011

Sobre você, mais uma vez

Estava deixando o tempo passar na esperança de um dia passar também a dor que venho trazendo nesses meses que se arrastaram feito um martírio que jamais achei que fosse capaz de suportar. Comecei a perceber que pouco mudou desde o nosso triste fim, nosso inexplicável e trágico desfecho. Venho trazendo você mesmo que sem querer, encaixando sua (in)existência em lugares e pessoas que hoje fazem parte da minha medíocre realidade, vivendo seu fantasma, te carregando como um parasita que me priva da liberdade de ser feliz de novo, de amar de novo, de recomeçar. Já tentei muitas vezes engrenar, iniciar do zero, mas me vejo sempre num marasmo completo. Penso com loucura que talvez seja impossível eu sentir novamente o mesmo como quando você estava presente, que eu nunca mais vá encontrar ninguém e que se eu deixei você se perder, é esse o preço a se pagar e quem sabe, nunca mais amar assim, do nosso jeito. Esse é o resumo do meu novo pesadelo, nem tão novo assim, o que é ainda mais assombroso. Já era pra ter sarado, já era pra ter caído em esquecimento toda essa história e penso mais uma vez que talvez eu não tenha mesmo mais saída. Tentei imaginar você de todas as maneiras que pudessem me ajudar nesse árduo desafio: seguir em frente. Então começo a lembrar. A última vez que nos vimos, a estranha frieza tão pouco característica de você, a sua insistência em não me olhar nos olhos. Repassei aquela cena diversas vezes na minha cabeça, tentando encontrar algum vestígio de que ainda possa haver um antigo você em algum lugar. Mas não houve sinais. Nada que me deixasse crer numa nova chance de recomeço. Não achei mais você em parte alguma naquele momento, embora até hoje seja perseguida nas ruas desertas, no sorvete da praça, em conversas sem rumo, no bar com os amigos, no meio dos versos das minhas músicas preferidas, nos fins de tarde em que costumávamos validar nossas angústias com um pouco de atenção. Percebe como você se tornou um tormento já quase insuportável? Não aguento mais me doer pela insatisfação que me dá sua falta e já me desagrada cansar os outros abordando assuntos que fazem sua menção. Nem pronunciar seu nome me dá mais prazer, pelo contrário, sinto uma timidez angustiada, como se fosse uma espécie de tabu. O que quero dizer é que, por mais que doa, por mais que cada célula do meu corpo lute contra minhas decisões desesperadas de te tirar da minha vida, ninguém me ouvirá mais falando de você, nem fazendo questão de saber a seu respeito, me lamuriando por alguém que nem mesmo existe mais.


"Que coisas são essas que me dizes sem dizer, escondidas atrás do que realmente quer dizer?
Tenho me confundido na tentativa de te decifrar, todos os dias. Mas confuso, perdido, sozinho, minha única certeza é que cada vez aumenta ainda mais a minha necessidade de ti. Torna-se desesperada, urgente. Eu já não sei o que faço. Não sinto nenhuma outra alegria além de ti.
Como pude cair assim nesse fundo de poço? Quando foi que me desequilibrei? Não quero me afogar: Quero beber tua água. Não te negues, minha sede é clara."

segunda-feira, 24 de outubro de 2011

Síndrome de princesa no castelo

Nunca contei isso pra ninguém, mas morro de vontade de me casar. Pode parecer bobagem falar algo assim em dias que ninguém mais presa pelo amor ou qualquer união afetiva que ele venha a trazer. Quem me conhece sabe que faço muito o tipo fria, que não acredita muito em demonstrações exageradas de carinho e que não deixa muita brecha pras pessoas se aproximarem. Se isso aconteceu uma vez é muito e já foi suficiente pra aprender a não cair mais no terrível erro de me entregar de corpo e alma em relações que não tenham um cunho embasado na certeza. Dou muito valor às certezas, isso é fato. E o afeto tem de vir junto à todas as confirmações de que jamais serei machucada outra vez.
A eterna insegurança de não saber que dia a tal alma gêmea vai surgir ou se já surgiu e eu não sei, é o que faz com que eu apresente esse ceticismo sem fim no amor. Tudo o que vejo é fingimento e quando olho duas pessoas que realmente possuem algo uma pela outra, tenho vontade de morrer. Sabe como é toda aquela coisa de botar o playlist Suicídio pra tocar, se acabar de comer porcaria e no fim de semana nem se comenta: quer destruir a cidade a qualquer preço. Um ponto horroroso que eu tenho é que adoro ver casal feliz brigando, meu lado sádico.
Aposto como depois vai ter gente me dizendo que eu dificulto demais minha vida. Se dificultar é querer unir amor com amizade com reciprocidade e maturidade, prefiro continuar bem assim, complicadinha da silva. Não estou procurando tarefas simples, muito menos comodidade. Se tem uma coisa que eu não tenho é medo de me aventurar. Mas aí ficar esperando o amor da minha vida surgir do além, fazer o chão tremer e causar uma reviravolta, pra tudo isso lavo minhas mãos.
E pode soar estranho o quanto for, só que ainda assim tenho o sonho mágico e pueril de um dia entrar numa igreja vestida de branco e ver meu príncipe me esperando no altar. Ou guerreiro, pra ficar mais coerente. Meu guerreiro, meu soldado, meu Hércules, meu cavaleiro troiano, meu herói, que derrotou o dragão e me tirou da torre, me salvando do meu triste e trágico fim, quase inevitável, por sinal. Mas ele viria, destruiria todas as barreiras que me cercavam, atravessaria sem pestanejar os obstáculos e por fim me provaria o contrário de tudo aquilo que eu já desacreditava: que é possível sim o amor existir e até talvez alterar minha concepção de que ele não será aquilo que imagino, cheio de perfeições. Ele vai contrariar minha própria regra e vai me mostrar que sou eu é quem tenho que mudar para recebê-lo, afinal.

sexta-feira, 21 de outubro de 2011

Mar me quer


Em dias cinzentos como esses, não demora e logo surgem uma imensidão de carentes, milhões de almas solitárias no mundo. O ano está quase acabando, o que faz a gente se perguntar se o que foi feito realmente procede, se os últimos meses acrescentaram em algo no currículo. Se desperdiçou ou não tanto tempo, cabe a nós mesmos julgarmos. Se foi feito alguma ação de caridade, se deu mais atenção aos seus pais, se foi à igreja mais vezes, se dedicou mais tempo aos estudos, se deu mais chances pro amor pintar. Não se sabe, de fato, se foi feito tudo certo de acordo com o planejado. Tanta coisa que procuramos fazer de “mais” que é só aparecer um pequeno contraponto e pá, não sei onde estou, nem onde quero chegar.
Todo mundo quebra a cara um dia e como se não bastasse viver num mundo onde poucos sabem o que é ter esperança, a gente fica procurando motivos pra desistir. Ou foi porque algum idiota te deu um pé na bunda, ou porque a metade da laranja não apareceu ainda, sua viagem dos sonhos deu pra trás, seus amigos te abandonaram e você está só. Isso mesmo so-zi-nho, que significa por conta própria, responsável por decidir o que vai ser feito da sua vida, se quer ser feliz ou não.
Outro ponto crucial que não passa despercebido é essa mania que as pessoas têm de ficarem usando máscaras pra se proteger da realidade. Medo de fracassar, medo de decepcionar, medo estampado e carregado a tiracolo. O que ainda pode salvar é se passar por alguém diferente, pode até te tirar da árdua tarefa de se enfrentar todos os dias. O peso a ser carregado e suas consequentes sequelas, isso é que não tem salvamento. Até onde se sabe, não há mal nenhum em querer ser um pouco sozinho. Claro, pessoas perto da gente, sempre queremos e é um pouco necessário, até. Mas o que se pode fazer quando nem eles nem nós fazemos questão de nos interagir ou viver em comunidade, qualquer coisa assim? Só que é como eu disse, tem gente que prefere usar máscaras.
Que os dias cinzentos passem logo. Estão todos loucos por férias, por um pouco de paz. A indisposição termina quando o mês também acabar e então haverão dias de sol. As pessoas sairão de suas tocas, seus cubículos de mesmice e irão à procura de alguma praia deserta pra se deitar numa rede armada num alpendre de uma casinha simples, com o vento batendo, fazendo um som, a banda tocando uma música, num ritmo natural. Estaremos no maior Hawaii style, revezando uma água de coco com um drink a La pineapple. E o mar azul lá longe chamará para um encontro impossível de resistir. Dispensando o pra sempre, quem ainda dirá que é impossível ser feliz sozinho?

quinta-feira, 13 de outubro de 2011

Em prol do desamparo

Hoje, traçando a mesma trajetória de todos os dias, caminhando numa velha calçada em que já sei de cor todos os obstáculos, buracos, por onde desviar... Não pude evitar fazer algumas reflexões, à minha maneira de escapar um pouco do real sentido em estar aqui, agora. Na verdade, nada tem sido muito real ultimamente. Devo ter perdido a noção de tempo, espaço, essas coisas. Noto que essa dispersão vem me afastando não somente de mim – antes fosse. Porém desacredito da possibilidade de alguém ter a mínima preocupação comigo e entendo perfeitamente se quiserem me deixar. É escolha minha não acompanhar o ritmo das outras pessoas e se isso é um problema, não faço ideia da proporção de sua gravidade. Pra ser sincera, nem ligo. Já se tornou parte de mim esse caráter indiferente, essa pose de pouco caso e um jeito que não cria expectativa por nada nem ninguém. Venho me excluindo com a desculpa da tal fase passageira e bem, crise existencial, é assim que nomearam o que pode ser definido como dúvidas demais, problemas demais e estado emocional totalmente instável.  Como solução, penso numa dose de bebida ou uma paixão novinha em folha, mas são formas muito drásticas para se reerguer de um período tão abalado, que só fazem me levar a um caminho ainda mais próximo da perdição.  É como estar numa encruzilhada, detida à necessidade de escolher um dos lados, porque não vale mais mexer um músculo sequer em favor dessas pessoas anestesiadas, desse mundinho ingrato. E quem foi mesmo que inventou essas histórias cheias de happy ends pra iludir gente da mente pequena que nem mesmo sabe distinguir o ridículo que essas figuras fictícias trazem para suas vidas? Não há nenhum céu, nem pessoas boas, nem milagres. Nessas horas, normalmente, costumo pedir a Deus ajuda, mas me falta coragem até pra ter fé. Tenho vontade de dizer que “essa luta é minha” e “me deixa viajar no meu inferninho particular”, quem sabe um dia eu volto.

domingo, 9 de outubro de 2011

Isso e ócio


Se perguntarem, meus pais têm uma história muito bonita pra contar sobre como se conheceram. Eles se encontravam as escondidas até que não aguentaram mais e fugiram pra se casar, porque minha mãe era muito jovem, minha idade, pra ser mais exata, e meus avós jamais aceitariam tal união. Clichê, porém inspirador, até. Quem me ver hoje em dia não perde a chance de dizer que vim de um amor de verdade, que tenho sorte. Só que em meio a toda essa história eu sou só o resultado, o final, aquele que dispensa o felizes para sempre.
Ontem à noite eu saí, conheci pessoas, nada de importante. Sem contar que não me lembro da última vez que me diverti pra valer. Chego em casa com mãos e coração abanando, exausta de ver o mundo lá fora, gente levando suas vidinhas como se cada dia fosse o último, mas pelo menos eles estão amando, se ferrando, se drogando, pelo menos estão vivendo. E eu, eu tô só aqui parada esperando por-não-sei-o-quê-não-sei-quem.
Dá vontade de desistir. De jogar tudo pro alto. E esquecer que tenho planos, que tenho sonhos, que tenho promessas não cumpridas com as pessoas que ainda me sobraram. Mas a barra é pesada e é tão pouco tempo que nos dão pra conseguir todas essas coisinhas básicas como entrar na faculdade – e ai de você se não for o curso que seus pais querem  arranjar alguém, e depois, bem depois, ter um emprego, construir uma família. E o agora, nesse instante, não ganha espaço nenhum nessa correria de querer o que está sempre na frente.
E ainda que eu tentasse fazer parte do grupo dos que vivem-até-a-última-gota, provavelmente seria um fracasso. Ao contrário do que pensam por aí, eu não tenho sorte, nem bom-senso e nem ninguém disposto dividir comigo, sei lá, uma vida, talvez. E mesmo que eu saia por aí, que eu tenha minhas revoltas sem causa e consequência, que eu continue fingindo, fugindo, quem eu estou enganando, afinal? Por quanto tempo ainda terei que esperar? Esperar algo correr bem, pra que eu possa finalmente enxergar que estar aqui tem seu preço, mas que mais cedo ou mais tarde valerá à pena. 

domingo, 2 de outubro de 2011

Take me back to the start

Eu sei que não deveria ficar reclamando, nem ficar implorando pra vida me dar mais chances. Já tinha superado essa sensação estranha, que me dá vontade de te escrever, mas ontem eu senti algo novo, uma saudade dolorida. Deve ter sido porque te olhei de longe, cuidando da própria vida, levando-a adiante sem qualquer resquício de passado. Notei que em você muita coisa mudou, embora seja a mesma pessoa de sempre. Só não somos os mesmos para nós mesmos e me pergunto, meu Deus, por que é tão difícil manter quem a gente ama por perto? E hoje é um daqueles dias de se passar na cama, ouvindo as músicas de ontem, lembrando da ocasião, do acaso do nosso encontro e do vazio que se instaurou ali e a presença que ficou pairando, deixando no ar mil significados. A distância, li em algum lugar, pode nos fazer esquecer, bem como, em alguns casos, somar-se, multiplicar-se, transformar-se em algo infinitamente maior.  Não quero que me perguntem de quem sinto falta, faz mais sentido perguntar de quando sinto falta. É mais fácil pensar nas coisas como elas eram do que como estão agora. Faz a gente mais leve e até um pouco poético. E por tudo que você foi, aumento o volume pra sentir de mais perto a sensação de quando distância não era o nosso maior problema.

terça-feira, 27 de setembro de 2011

Nem desistir, nem tentar

E mais uma vez me encontro aqui, na mesma desolação de sempre. Consumida por atenções que não condizem com nada que eu mereça, com nada parecido ao que procuro como paz interior. O mundo tá girando feito roda gigante, sim, e em contraposição com Caio, eu tô dentro, mas tô pedindo pra descer. Eu disse me encontro? Quis dizer me perco. O tempo todo, de tudo, de todos. Perco, fujo, dilacero e dou um certo toque efusivo onde não era pra ter sentimento algum. Eu já quis ser tanto, já sonhei, já até acreditei no amor. Sabe, aquele esquema todo de tu me liga eu te ligo, nos vemos, saberemos as palavras certas pra dizer um ao outro, faremos promessas, combinaremos de assistir filme em domingos solitários, planos à longo prazo e no final das contas, terminaremos aquele dia no maior estilo,como se faz aquele pessoal que se ama. Mas, não. Digo pra qualquer um que pense na possibilidade de se aproximar um pouco mais: meu coração não é uma boa morada, dois passos pra trás, um pra frente, por favor.  Não estou disposta a sacrificar ninguém nessa árdua tarefa em tapar buracos, que de longe estão procurando ser fechados. Não estou colecionando promessas, pelo contrário, se tem algo assim à vista, fujo e não olho pra trás. Não quero nenhuma garantia pra quebrar a cara mais tarde. Não mais. Já acreditei muito e acho que já disse isso antes, mas não quero que restem dúvidas, à menos que seja de verdade, porque eu acredito. Sou ridícula o suficiente pra ainda acreditar em todas essas ba-na-li-da-des. Sei que tudo em mim engana, depois afasta. Deve ter algo de errado, podem ser as pessoas, o lugar, mas é muito. O problema tá aqui, não adianta fingir. Simples e gritante ao mesmo tempo, e sem mistério algum. Tenho mesmo essa mania besta de querer ser de alguém, embora essa palavra “alguém” seja algo infinitamente limitado, que se restringe, se guarda. E sou boba sim. Crio mil dificuldades como desculpa pra minha falta de discernimento com o resto do mundo como distúrbio de personalidade repulsiva, DNA estragado, conspiração com gente (qualquer tipo de gente). É muito pra alguém tão pequeno, eu sei. Ainda bem que ainda tenho fé, que ainda espero e que acredito? – Sim, lá no fundo eu acredito, que num dia qualquer, o que vivo esperando ser o melhor pra mim bata na minha porta e que psicologicamente ou astralmente, eu não arranje mais nenhum motivo pra não aceitar a felicidade.

sexta-feira, 23 de setembro de 2011

Contramão

Nada como acordar um dia e se perceber totalmente acomodada. Sentei, calei, não ousei uma palavra contra sequer.  E, entenda quem for capaz, mas deixei assim, quietinho, porque cansei de tudo o que me sufoca, que me dói e que não me acrescenta nada que valha a pena. Não quero mais ouvir esses discursos falsos moralistas me dizendo o que é certo e muito menos decisões alheias que falem por mim o que se diz ser melhor.  Saturei, meu caro. Chamem do que quiser: insensatez, revolta, covardia, indiferença, loucura boba e alienada, mas não bata na minha porta pra me dizer acho-que você-devia-seguir-esse-caminho-pro-seu-bem. Ora, achismos nunca levaram ninguém a lugar nenhum. Então só apareça com uma solução, que posso até pensar em te dar uma chance. Convidar pra um café, quem sabe. O que poucos imaginam é como ter que ir dormir e acordar com o pensamento a mil, com os ombros pesados pela carga de pressões diárias que são sobrepostas e que chafurdam minha cabeça. Não, nem ocorre o pensamento em todos esses envolvidos de que a minha paciência acabou faz tempo e que no meio dessa bagunça, nem motivos para estar nela eu consigo achar. Estou presa, não nego. Acorrentada, sem poder fazer nada, que por mais que eu queira me libertar, a consciência pesa, meu amigo, te obriga a voltar pra vida, fazer parte e ser propriedade dela. Mas como eu ia dizendo, nada disso vai me fazer render e ser escrava de todas as determinações propostas por ela, pela Vida. Não é que eu tenha desistido de sonhar ou desistido das pessoas, nem que tenha aberto mão do sentimento. Minha pretensão não é me esvaziar, apenas tornar mais leve. Sabe aquela coisa toda de viver e deixar levar? É disso que eu tô falando.

domingo, 18 de setembro de 2011

Amizade, Amiza, Ami, Am... Amor

Pra quem eu considerava não amar tanto, ele até que fez um estrago enorme. Mas volto a dizer, que nesse coração, onde prevalece uma luta constante em não deixar ninguém entrar, onde o medo de quebrar a cara impede que eu me entregue a qualquer uma dessas paixões que pintam vez em quando e de onde vem todo o orgulho que me afasta dos infortúnios, mas que também me mantém distante do que procuro alcançar – esse coração espera um dia encontrar um motivo pra nascer e crescer de novo.
Estou sempre largada, redimida e partida em pedaços, deve ser coisa de dentro da minha cabeça achar que vivo abandonada num canto imundo, abraçada a própria solidão. E a que ponto de clichês chego em dizer que ela, Solidão, foi, se não, minha melhor companhia? Pelo menos hoje, que não estou esperando nada nem ninguém, me deixo levar pela saudade que certas pessoas e situações me fazem sentir. Muitas vezes por aquilo que foram ou deixaram de ser, não importa, o fato é que eu gosto de lembrar dele. Ele, que daquele jeito despreocupado e cheio de imperfeições me mostrou que não adianta bancar a distante, coração nenhum permanece fechado pra sempre.
É, mas nem gosto mais de ficar batendo na mesma tecla, escrevendo sempre sobre a mesma pessoa, as mesmas razões, só porque o nosso amor perdeu a noção, saiu do limite que foi imposto por nós mesmos. Não gosto de sentir esse gosto seco na garganta que parece algo como vontade, sei lá, arrependimento?  Eu não sei o que mais me dói, se é esse desejo de fazer de novo o que é proibido ou o que meu coração determinou ser errado. Nem mesmo sei dizer o que aconteceu, mas tenho plena certeza de que o que mais sinto falta é do que ele sempre foi, sem dúvidas uma companhia melhor do que a solidão que tenho agora. 

sexta-feira, 16 de setembro de 2011

Meu melhor pesar

E existe mesmo essa coisa de dar pausa na dor? É que corremos tanto das decepções, fingimos não notar as desgraças e fugimos de tudo aquilo que nos deixa triste para acabarmos sempre no mesmo buraco, envolvidos nela, na dor. Nunca fui muito de falar, imagina quando me questionam sobre como vai meu dia, se está tudo bem ou como estou me sentindo. Engana-se quem pensa que não levo a sério cada uma dessas perguntas, pois sempre quero prolongar as verdades, dizer tudo que está mais afundo e que ninguém faz nem sequer questão de saber.
E aos trancos e barrancos vou resistindo. Embora minha vontade seja de nunca sair da segurança que é meu cubículo de mágoas, estou disfarçando, de fato, o que acho ser meu por direito: não, não me chama pra olhar a vida lá fora, daqui não saio, daqui não quero sair. Sei que tudo pode ser mais bonito se eu quiser e que a felicidade não é totalmente inalcançável, basta ter força, uma força que não tenho agora e se alguém me perguntar quando, direi que não sei e não quero saber. Desse jeito bem arrogante mesmo.
E se, e somente se eu achar algum motivo pra querer ser um pouco mais do que somente essa figura opaca sem esperança alguma, de certo, terei aqui intacto o melhor de mim, que sempre esperei mostrar. Mas não me iludo, não. Já caí num conformismo previsível e desisti de não me sentir culpada em ser um pouco mais feliz. De me sentir culpada por toda perda, essas que passaram a ser tão comuns nos meus roteiros cobertos de decepção. E se me perguntarem se eu sinto culpa por algo mais, eu apenas direi que depois de um certo tempo a gente para de se importar com as coisas que tocamos que acabam por estragar, ou tudo aquilo que tentamos, por amor, proteger, sempre terminar  fugindo e até mesmo o melhor que há guardado aqui dentro, que acaba escorrendo pelas mãos.

sábado, 10 de setembro de 2011

A única saída é deixar pra trás

Dizer que nunca mais é muito fácil. Falar que tanto faz ajuda a seguir em frente. Viver contando nos dedos o tanto de gente que já me magoou não vai me fazer sofrer menos. A verdade é que me falta coragem de dizer chega, não dá mais. O mundo gira, as pessoas mudam, a gente muda, não é algo que se possa evitar. Venho tentando me convencer a cada dia que meu coração não é playground pra criança nenhuma brincar e que ficar me rendendo ao acasos que pintam por aí não é mais vantagem nem pra mim, nem pro próximo palhaço que aparecer. Afinal, meu coração não é circo também.
O que custa querer ser um pouco mais livre? Ser fria, confesso, não faz meu tipo. Mas é que eu tenho me entregado muito, me doado além da conta e nada disso tem me feito bem. Não é que eu queira seguir um caminho traçado, com linhas feitas e um destino preparado pra me receber. Espero, de vez em quando, me perder. Acordar virada pro lado errado e fazer tudo aquilo que me der na telha. Não pensar em mais ninguém quando o assunto for eu. Espero que eu não precise de motivos quando meu coração decidir me fazer feliz. Que eu não precise fazer tudo isso impulsionada pelas decepções que a vida me trás.
Hoje eu cansei de sofrer. Disse nunca mais, mesmo sabendo que amanhã é outro dia. Hoje eu falei que tanto faz pra tudo e a todos que me magoaram, porque o mundo gira e pra seguir em frente é necessário deixar de lado e começar a perceber a pessoa que me olha no espelho todos os dias. Hoje eu queria ser minha e de mais ninguém.

"Tô tirando férias, dando um tempo disso, chega de amar, chega de me doar, chega de me doer."

quarta-feira, 7 de setembro de 2011

Não quero não lembrar

Desde sua partida tenho tido dias amargos, um tanto impiedosos. Estava acostumada com sua ausência, mas nunca imaginei que sua falta fosse me abalar tanto assim. Já faz algum tempo e estou começando a superar as vontades que sinto de falar a seu respeito e de ficar pensando nas lembranças mais doces.
Aqueles dias, não faz nem tanto tempo, não pensava em mais nada, só conseguia sentir culpa e uma dor na garganta, um aperto no peito, umas vontades inesperadas de chorar. Queria um ombro pra me recostar, e nos dias que eu sonhava mais alto, desejava até um abraço. Um abraço de verdade, daqueles que me faziam sentir segura e que não conseguisse pensar em estar em nenhum outro lugar que não fosse dentro daquele abraço. Claro que isso foram apenas desejos frustrados e continuam sendo. Essa comodidade de espírito e outros tipos de refúgio são apenas esperanças angustiadas depois da sua partida.
Estou sentindo todas aquelas emoções que uma pessoa sofre quando a outra vai embora. Além da saudade, é claro, tento me acostumar com esse jeito amargo que a vida olha pra mim. Sozinha. Tento, e talvez me saia melhor até do que se possa imaginar. Dar meus próprios passos e acima de tudo confiar em mim. É normal, não é? Estive tanto tempo encoberta por debaixo da sua sombra que é natural sentir certa relutância em abrir mão de tudo que tenha a ver com você. 
Talvez chegue um dia que eu pare de ficar imaginando o que você acharia, o que você falaria e o que faria se estivesse no meu lugar. Faço de tudo para evitar esses pensamentos, ao mesmo tempo em que não quero me livrar deles. E eu sei que chegará esse dia, que tudo isso não vai passar de uma lembrança remota. Ou será que é forte demais pra se esquecer? Deve ser normal pensar que tudo na vida é inesquecível demais, que tudo é marcado, às vezes marcado a ferro quente. Com ferro quente, que fez um corte profundo demais pra sarar. 
Têm sido assim, esses dias, se quer saber. Gastando tempo a procura de um novo lugar seguro, encontrando no máximo pessoas que só querem meu bem. Querer meu bem é fácil e até cansativo. Agora querer, meu bem, querer do seu jeito, essa é uma busca que talvez leve anos e nunca vou achar o que um dia achei em você.

30/04/2011

domingo, 4 de setembro de 2011

Eu pires, você prato

Foi em um dia claro, sem nenhuma expectativa, desses dias felizes que não imaginamos que poderiam mudar nossas vidas. Foi em um dia assim que te conheci. Não, não estou fantasiando, nem criando situações só pra ficar bonito. Foi exatamente dessa forma que você começou a fazer parte da minha história.
Você foi chegando devagar, sem que eu percebesse, foi ocupando todos os meus espaços. Não sei se você se lembra das tardes que saíamos sem destino só porque ficar junto era bom demais. Eu ia ansiosa te ver, já imaginando tudo que tinha pra me contar. Você dizia que viver em casa era difícil e que estar a par de problemas que não os seus era um tormento. Eu gostava de ouvir você reclamando que seus casos anteriores foram perda de tempo e que o maior erro que alguém pode cometer é esperar que alguém a mais venha e resolva sua vida. Fui aprendendo a deixar de lado minhas manias antiquadas, enquanto de mansinho você começava a abandonar a saída de sexta à noite pra ficar mergulhado na própria solidão. Eu estava quase chegando perto de ser a pessoa que sempre temi quando criança, mas por desejar estar do seu lado, fui afastando meus requintes e de lá do meu barzinho de domingo com os amigos jogando conversa fora, vez e outra recordava da vez que você me prometeu uma caminhada na praia. Gostei do seu jeito singelo de recitar O tempo rodou num instante nas voltas do meu coração imitando Chico Buarque e até me fez chorar baixinho algumas vezes ao lembrar daquele dia que você cantou no meu ouvido um trecho de Caetano me chamando de Leãozinho.
Você, requisitado por tantos outros e com sua mania de maturidade foi se perdendo cada vez mais no seu mundinho. Nem cartas de amor eu recebo mais. Nem uma única explicação de que sua estada era passageira e que só veio aqui pra mudar meus roteiros e adeus, fique bem, esteja bem. Nada. Eu, obrigada a suportar nossa distância assustadora, fui me tornando tão você que não consigo mais reconhecer o rosto que me olha no espelho. Você, sem saber de mim deve adivinhar os meus temores em sempre encontrar um resquício seu em qualquer lugar. Eu, não encontro nenhuma maneira de simplesmente jogar no lixo um passado, que apesar de não querer me deixa seguir em frente, foi parte, como é que você dizia mesmo? De uma história pra contar.

sexta-feira, 2 de setembro de 2011

Não mais do que espera


Queria falar sobre a saudade que sinto de você. Quando não tenho muito mais o que pensar, se não você colorindo meus espaços vagos de qualquer coisa boa que a vida tenha me dado, desperto em mim algo como um desejo enorme de te ver de novo aqui brincando de ser meu. Meu bem, não sabe como é difícil vê-lo partir sem saber se vou ter notícias suas, sem me dar nenhum juramento de que haverá volta. Hoje tenho uma coleção de recordações dos nossos últimos encontros sem despedida e não importa quantas vezes eu já tenha o visto ir, desprezando o meu pesar, estarei sempre aqui esperando a chance de um novo retorno.
Nunca te pedi pra ficar, te neguei a mim mesma, só que alguma coisa aqui dentro tá pedindo sua chegada para que ocupe todos espaços e eu não posso mais impedir, meu bem. Não consigo mais deixar de lado, mesmo depois de tanto sofrimento, de tanta discórdia e assuntos mal resolvidos. Simplesmente não encontro mais sentido em passar esses dias convivendo com a sua ausência e o pensamento toda hora em você, me fazendo querer falar das suas coisas, das suas histórias. É difícil resistir e não voltar atrás quando me apego a essas vontades. Sinto que estou mentindo por não dizer que tudo o que eu quero é correr em seu destino e cair de vez em suas mãos.
Em mim vive uma esperança fatigada de que um dia eu reviva com segurança as emoções que só tenho estando ao seu lado. Só que hoje estou sempre atormentada por perceber uma áurea sombria vindo daí, de você. Não quero te ver triste, meu bem. Não quero topar com você tão cabisbaixo, tão como eu.  Nesses dias ensolarados de setembro, que vago por aí imaginando o que te ocorre no pensamento nesse instante, queria apenas te dizer que você não precisa ficar sozinho se não quiser.
"Confesso que me dá uma saudade irracional de você. E tenho vontade de voltar atrás, de ligar, de te dizer mil coisas, e cair em suas mãos."

domingo, 28 de agosto de 2011

Logo eu

- Tenho ímã pra gente problemática.

- Dizem que quando as pessoas nos procuram é porque querem um conselho de alguém que passa algo diferente e de fato desejam aquela postura de vivência. E Deus usa essas pessoas, que tem o ímã.

- Quer dizer que Deus me usa pra transmitir conforto pros outros?

- Tu és especial.

- Não, então porque sempre te procuro? Você deve ser o meu correspondente.

- Você é o meu correspondente.