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domingo, 5 de fevereiro de 2012

Welcome to seventeen

Eventualmente imagino se não foi errado ter chegado até aqui com tão pouca tralha na bagagem. De vez em quando penso em acumular num potinho externo os afetos, desilusões e memórias. E quando eu estivesse pronta, pudesse jogar ele bem longe no meio de uma maré alta. Apesar do desejo imenso de ser feliz, é tão pouca a liberdade que me permito ter. Não sei quando criei esses limites, só que agora guardo com um estranho respeito essa obrigação que me restringe dos papeis que reinventei na esperança de, quem sabe, me livrar de todas essas amarras embrulhadas numa caixinha que tem escrita a palavra “responsabilidade”.
Estou escrevendo pela primeira nas últimas páginas do meu caderno novo, hoje nessa sexta, dia três de fevereiro às 15:43 no fim da aula de biologia – Calma, é só uma trégua. E é dessa forma e com esse pensamento que chego aos dezessete aninhos e como é que se diz mesmo? Que seja doce tudo que tiver de ser.

E acima de tudo: que seja melhor.

quarta-feira, 1 de fevereiro de 2012

Um brinde antecipado ao terceirão

Eu queria demonstrar segurança, exibir o pique-de-ano-novo-e-dessa-vez-vai-ser-diferente, mas a animação para por aqui. Aliás, cadê essa animação? Ela nem chegou pra festa, que triste. Dá mesmo pra acreditar que é o último ano? A ficha ainda não caiu e eu estou desesperada para que caia logo se não vai ser igual às outras vezes e Deus sabe como eu desejo que isso não aconteça.
Queria começar não criando expectativas, mas se alguma vez alguém já conseguiu, por favor, me diga como, porque eu só sei pensar nas mil alternativas que existem que vão fazer eu me dar bem e ter muito sucesso e um final digno de contos de fadas. A diferença é que o meu príncipe são os livros, meu castelo é a faculdade e o vestibular é a bruxa má.
Tenho toda uma visão realista das coisas, sei da minha situação de aluna indecisa que não sabe se vai ou fica, sou extremamente desconfiada da educação que meus pais predispuseram a mim nesse finzinho de mundo e entendo também que tenho vários olhares me guiando aonde quer que essa trajetória de pré-vestibulanda vá me levar. Sem pressão.
O ponto é o seguinte: eu poderia morar em outro lugar, eu poderia escolher outro curso um pouquinho menos complicado ou poderia ter optado por ser uma patricinha riquinha frequentadora assídua de festas. Mas acontece que isso nunca esteve ao meu alcance. Então nasceu esse projeto mal acabado de dedicação que não é nada além de uma pessoa que sonha demais. Nunca fui uma aluna inteligente, me comprometo agora dizendo que sempre fui daquele tipo que se esforça bastante e faz um tipinho cdf, mas morre de preguiça de estudar. Comprometo-me novamente dizendo que esse tipinho está com os dias contados, a hora de ser de verdade e não somente tipinho já veio e a hora de correr atrás dos meus sonhos chegou faz tempo e eu nem percebi.
Esse é aquele momento que passam flashbacks na nossa cabeça e percebemos que a gente cresceu e nem se deu conta disso. Um passo para a faculdade e tudo isso só depende de nós mesmos. Será se ainda sobra espaço para aquela pessoa que te fez chegar até aqui? Antes de a escola ser vista com olhos frente ao futuro, antes das preciosas horas de sono, do comprometimento com pais, professores e até consigo mesmo. Têm vezes que eu nem me lembro daquela antiga pessoa e em outras é quase impossível enxergar o que vai ser dela. Desejo não me perder por um momento de desespero e continuar caminhando para cada vez mais perto daquilo que sempre busquei alcançar. Desejo, não só por mim, mas para todos que me acompanharam de verdade nessa trajetória, um desfecho merecedor, digno de futuros profissionais e que acima de tudo possamos comemorar satisfatoriamente a melhor formatura que nossa escola já viu.

quarta-feira, 7 de dezembro de 2011

Feliz ano velho

Minhas férias começaram bem, talvez não tão bem por causa daquele chororô de fim de ano, as despedidas de cortar o coração. Quem passou por média passou, quem reprovou, sinto muito – eu agradeço por fazer parte do grupo dos inteligentes da sala, o que claro, não me inclui, mas ainda assim é muito bom, porque ninguém merece fazer parte do grupo das sirigaitas ou das desmioladas – com todo respeito, por favor, não me interpretem mal, isso aqui não é nenhuma referência a exclusão social.
O que quero dizer é que, pelo menos no início tinha um quê de emoção, o que nesse momento não é o caso. Quem era pra ir embora já foi, quem era pra viajar já viajou. Mas infelizmente eu não tenho muitos parentes fora, e os que tenho moram num interior mais interior do que aqui, então tenho que me contentar e esperar até o Natal para bater as asinhas e me livrar desse projeto de fim de mundo. Mais uma vez, não é querendo menosprezar essa cidade tão amada, principalmente pelos meus velhos conhecidos que ocupam cargos apreciados na prefeitura. Enfim, estou me dispersando muito, culpa do ócio.
O mais triste foi ter que lidar com as despedidas. Achei que seria difícil, no fim foi mais desesperador do que o imaginado. Em pensar que esse foi o último ano para levar as coisas mais ou menos na brincadeira – e eu nem levei! Fiquei o tempo todo reclamando, fui irresponsável, porque não aguentei a pressão sob meus ombros e por pura falta de motivação. Mudei meus hábitos noturnos drasticamente. Se antes eu curtia a vida num total estilo top na balada, agora eu me restrinjo a filmes, livros, doces, música e lógico, muita escrita. Word que o diga. Coitado, ouviu muita choradeira. E agora que acabou, estou coberta por nuvens de arrependimento e louca da vida pra começar de novo. Total desperdício. Acho que vou sentir falta desse ano mais pelo que ele não foi.
Apesar desses momentos que caio na real e sofro dores de cotovelo maiores que aquelas que tenho nas costas por não me sentar direito, finalmente tenho aqui comigo uma espécie de paz. Quem diria! Não é que eu consegui? Não foi esforço nem tentativa, apenas o tempo, amigos. Ele pode até não curar, mas tira o incurável do centro das atenções. Clichê mode on agora, mas clichê só é clichê por uma razão: porque é verdade.
Esse era um texto pra falar dos meus planos pra esses dois meses antes de voltar à guerra, mas como sempre, tudo acaba na mesma coisa chata, eu. Queria falar sobre meu tédio terrível, mas só consigo pensar em solidão, sem contar que tenho problemas bem sérios pra resolver como o meu celular que come todos meus créditos quando faço recarga ou meu notebook que viciou na tomada e o som está com defeito há meses, bandido! E também o meu guarda-roupa que desde não sei que era não é arrumado, tampouco atualizado. Coisas simples que estão me incomodando de uma maneira angustiante. Sim, atualmente estes são os meus maiores problemas, acho estou me tornando uma criatura fútil, Deus me proteja.
Acontece que eu sinto estar verdadeiramente pronta para mudanças. Não me arrependo de ter alterado aqueles gostos juvenis e tentar ser sociável, aquilo era um saco e ainda bem que eu superei e percebi que de forma alguma me enquadraria. Agora que já achei meu lugar no mundo, é só aperfeiçoar e seguir em frente? Isso mesmo, seguir em frente. Repeti isso tantas vezes esse ano que chega a soar até um pouco artificial, mas é pra valer dessa vez e vai ser pra valer.

quarta-feira, 30 de novembro de 2011

Eu tô falando é de amizade

Nunca esperei encontrar estabilidade em qualquer relação de convívio que pudesse me trazer serenidade ou arriscar me envolver em algo que eu sei que minha autoconfiança não permite alcançar. Sempre gostei de estabelecer os prós e os contras antes de começar uma amizade com alguém. Sim, eu já fiz muitas análises a respeito de cada um de vocês, mas não sou paranóica, gosto de substituir isso por uma palavra mais bonita e poética como “insegurança” ou “precaução”. Fico me perguntando como mesmo assim eu ainda erro na jogada, tem gente que consegue me enganar bonito, mas tudo bem, é preciso acabar com esse medo.
Não faço ideia como certas pessoas entraram na minha vida, só sei que é muito difícil imaginá-la sem algumas delas. Eram apenas uns tímidos “olá, tudo bem” e “tchau, a gente se vê”, que virou de uma hora pra outra comentários mais dialéticos sobre filmes e livros, comunitarismo na hora de dividir as atividades do dia seguinte, vergonhas alheias compartilhadas em certos momentos insanos e análises viajadas sobre nossos estúpidos sentimentos frustrados.
Não que tudo isso seja sinônimo de uma verdadeira amizade cheia de perfeições, laços tão fortes que podem ser chamados de fraternos. É apenas uma leve semelhança a essa coisa toda que vemos nos filmes e nos dá vontade de criar essas pessoas como um suporte pras horas necessárias, só que é um erro pensar que é tudo sobre nós mesmos. Vocês, mais do que ninguém, me ensinaram que amizade não é algo que eu tenha que me apoiar, algo que eu tenha levar ao fundo do poço junto com todo o resto, é preciso não pensar só em mim. A partir do momento que eu passei a querer o bem de outros, o que era essencial pra mim, vira supérfluo quando estou com vocês.
Eu tive muito em que pensar. Não é fácil decidir quem é que deve ficar pra traçar um caminho com a gente. Não que eu tenha decidido algo. Boa parte não coube a mim, acho que se dependesse da minha boa vontade eu estaria sozinha e é aí que eu encontro maiores motivos para agradecer às pessoas que não abriram mão de me fazer sorrir – ou pelo menos tentar arduamente – nem quando eu dei razões mais que relevantes para fazerem isso. Talvez eu deva mesmo começar a dar mais atenção a isso, ao que interessa e é interessado, ao que me faz bem em proporções que eu nem sabia que era possível. Talvez eu deva começar a dar mais valor, sobretudo à simplicidade de pequenos momentos como uma tarde à toa sem nada pra fazer ou deixando tudo sem fazer, pelo simples fato que as preocupações podem ficar pra depois, mas as amizades não.
E ainda bem que eu tenho pelo menos essa certeza de que fiz algo certo. Pessoas maravilhosas ao meu lado, que me dão trabalho e irritam de vez em quando, mas que sabem poupar tudo isso na medida certa. E mesmo que nós percamos esse entusiasmo de juventude mais tarde, que fique guardado em algum lugarzinho da memória – sem desculpas de sequela de velhice – o que foi aprendido e as boas lembranças, pois eu acredito que esse tipo de amor não perde o brilho. Posso nunca ter procurado perfeição, mas sem dúvidas vocês chegaram bem perto disso.

quinta-feira, 11 de agosto de 2011

Feliz dia do estudante [!]

Provavelmente eu deveria estar estudando pras provas de amanhã, mas como sempre, tenho assuntos mais importantes e menos urgentes do que aprender números complexos ou o significado que a sociologia atribui para o poder. Algo me faz crer que nunca vou descobrir o mistério de por que tudo se torna muito mais interessante quando se tem a obrigação de sentar numa mesa e cair de cara nos livros. É, meu amigo, acho que esqueceram de me dizer antes que o passe pra entrar numa faculdade não é tão simples de se conseguir como parece, e quem acha que vida de pré-vestibulando é fácil, deve ter esquecido do tempo que já foi um.
E como aluna nada dedicada que sou, tiro o meu tempo dessa folga que a escola deu pra estudar,  para escrever sobre o dia do estudante, porque sim, isso é muito mais interessante do que potência e plano de Argand-Gauss. Aproveito também pra dizer que apesar dos muitos momentos que pensamos que não temos futuro, a concorrência tá estudando, então não pense, só estude. Esse conselho serve, sobretudo pra mim.
Que eu comece a dar valor aos meus dias inteiros dentro de uma sala de aula, porque de tudo que acontece na minha vida, isso parece ser a única coisa que realmente tem fundamento. Que eu saiba reconhecer o esforço das pessoas ao meu redor e fingir não notar no quanto sou pressionada – Ah, isso é essencial! E pra quem diz que ensino médio é legal, espero que não se ofendam por eu achar todos loucos.
Um ótimo dia do estudante a todos, que quanto a mim, tirarei esse dia folga.