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sábado, 4 de agosto de 2012

O último feixe de luz

Foi nesse início de Agosto que o tempo pareceu parar. Só que os segundos, minutos, horas, dias, semanas, no meu relógio de pilha fraca, no calendário de papel gasto preso na geladeira vazia da casa deserta, o tempo, não parava nunca de passar. Dentro da gaveta havia uma carta para Ana que jamais enviei. Um clichê inegável, faltava o pairar para a janela e ver a chuva caindo, mas não chovia fazia meses, o sol lá fora inundava o quarto de uma melancolia característica, o calor efervescente não combinava a frieza do momento nem à minha escolhida solidão em que tirei duma caixa de preferências para me ajudar a atravessar Agosto. Abri a gaveta para ler mais uma vez minhas palavras mal encaixadas dentro de uma parte daquilo que eu queria dizer. 

“Ana, 

eu não tenho artimanhas para me dirigir a algo que eu sequer sabia que tinha. Não, eu nunca tive e eu dizia. Parece que em voz alta tudo fica ou é mais real. Mas eu ando abafando entre as paredes desse quarto, abafando tanto, entre o refúgio que achei debaixo dos lençóis, dentro de tudo que eu queria dizer, mas que foge inexplicável ou se transforma ou se materializa em forma de decepção exacerbada, de esforço não reconhecido, em cansaço de sempre viver de metades, talvez eu tenha tido essa dificuldade em aceitar – que você pode chamar de coragem – e deixar pra lá, porque comigo sempre foi tudo ou foi nada, desisti dos seus meios termos e assumi a posição de nada na sua vida. Aceitei. Hoje parado sem muito o que fazer eu só posso dizer que sinto muito por você sentir tão pouco, pouco o suficiente para não preencher as lacunas que eu imaginava precisarem de você e da confiança que eu precisava depositar mas que você não foi capaz de conquistar. Não estou sendo ingrato, eu posso ter um dia confiado, posso em vários momentos, esses que a saudade chega a doer forte e lá no fundo, ter te feito peça essencial na minha vida, mas palavras, minha querida, palavras valem apenas no momento que são ditas e você escolheu a hora errada para dizê-las, mas quem sabe era tudo que eu precisava ouvir para me despertar e dar esse passo importantíssimo: parar o quanto antes. Eu não queria chegar a essa conclusão, me recusava, era mais do que eu, naquele momento, podia suportar, só que a verdade é, sobretudo, inegável, você se concretizou, você é indiferente a minha falta e capaz de sustentar uma vida toda nas costas do orgulho e dos seus parâmetros, Sua Base. Meu melhor amigo agora é um autor de livros tristes, porque perdi a quem procurar nesses dias chuvosos dentro da gente. E eu precisava. Te dizer que fingir que não estou nem aí pra você foi uma das coisas mais difíceis que já fiz. Que me apunhala nas costas a dúvida, aquela que não me deixa ou não quer que eu acredite que você se foi pra valer ou se está enfrentando o mesmo dilema ou. E que não, eu não conseguiria. Encarar outra vez seus olhos de uma inocência fingida, de acusações pelos meus erros, sobrecaindo em mim toda a culpa do mundo. Encará-los não passa de uma vontade acovardada, medo de ser o primeiro a dizer, ou pior, o único a dizer." 

Ventava forte no parque. Atravessei distraído aqueles campos de girassóis abertos, pareciam satisfeitos com a intensidade do sol naquela tarde triste de sábado. Eu não saía de casa havia um bom tempo, eu não arriscava abandonar o sofá, os discos, cigarros e vodca, o cachorro velho, o cactus que deixei morrer. A claridade ali meio que me assombrava. Num banco logo a minha frente estava Ana. Ela não parecia ter reparado em mim ou simplesmente ignorava ou devia pensar que era apenas um desconhecido passando e na realidade eu era. Mas eu não me intimidei como de costume, fiquei parado olhando, suas faces relaxadas, estava bem, entregue a uma paz que não, eu não compartilhava. Tinha flores na mão, mas não eram girassóis, outros tipos de flores que eu não soube reconhecer. Na outra mão, eu também não tinha certeza, segurava firmemente o conforto dos seus sonhos, o que sempre desejou num mundinho que era só seu e que eu percebi, não havia mais espaço pra mim. E quando eu acenei, incontido, esperei que ela virasse, mas ela não virou. Quando chamei seu nome, esperei que ela olhasse, mas ela não olhou. Continuei esperando que ela sorrisse e corresse para me abraçar, mas ela não me via, não virava, não sorria, sorriso costumeiro, não corria em minha direção.

sexta-feira, 13 de julho de 2012

O mal que não tem raiz

Eu sei que tudo isso é um pouco difícil de processar, minha querida, mas preste bem atenção: o errado nessa história o tempo todo fui eu. Sim, já tivemos essa conversa antes, eu confessei muito do que estava preso em mim, mas nunca pude te encarar face a face e dizer aquilo que eu sempre quis dizer, mas é uma dessas coisas que ficam dentro da gente, mastigando e que engasga depois de engolido. Você provavelmente já deve saber, me conhece tão bem, mas sabe que a atitude mais correta a fazer é fingir não sentir o fogo queimando entre os vértices dos nossos sentimentos antes que nos transformemos de vez em cinzas. Naquele dia, e alguns que o antecederam, eu mal pude respirar. Porque é normal se sentir apagado de vez em quando, mas você tem esse dom de me reacender em dias de pouco sol, de me aquecer quando faz frio lá fora. Sua presença, descobri ser um vício incontrolável, algo pouco saudável porque apesar de palavras cheias de juras, eu jamais pude competir com a sua outra metade que não me amava, jamais pude me acostumar a esse nosso relacionamento unilateral. Você já pensou na força que uma pessoa fragilizada pode ter? Viver de migalhas não alimenta um homem sedento de atenção, possuir metades ao invés de por inteiro leva a ações bruscas, porém jamais sem antes terem sido provocadas. Você me seduziu para um túnel sem saída, coração, e por mais que você seja novo, maduro e reinventado, você continua indo parar na mesma ratoeira, atraído por sobras que algum rostinho bonito te deu. Hoje jurei não procurar, não ligar, não deixar mensagens na sua caixa de entrada. Hoje jurei esquecer seu endereço, me perder num bar qualquer, me embrenhar em solidão, achar alguém diferente que me faça esquecer. Hoje eu venci meu desafio, mas por que continuo me sentindo como se tivesse perdido? Talvez eu tenha deixado passar a parte de que você talvez desconheça, essa parte de mim que te ama perdidamente. Não, não só uma parte, essa é a diferença entre mim e você, porque você pensa que me enganando vai poder também se convencer de que foi só uma noite, que não vai mais acontecer. Eu fico arquitetando aqueles instantes para os meus dias intermináveis e eles se repetem até virar produto da minha imaginação. Mas se você me conhece tão bem, deveria saber. Devo ter mesmo estragado tudo, nossa relação, clara, limpa, meio sem vergonha e mais uma pitada de desejo no meio, só podia mesmo dar nisso, você sabe o quê. Quando costumava me procurar, pra contar cada parte do seu dia e pra dizer como estava decepcionada com eles, com ele, eu sofria com você por eles, por ele. Então você parou, e eu passei a te procurar só porque você não me procurava, ligar só porque você não me ligava, amar só porque você não. Preciso de motivos? Está na cara que sim, não é simples se conformar que tenhamos perdido aquilo que cresceu tão sem controle dentro de mim, algo que eu sabia desde o início que ia acabar daquele jeito, mal. Vem aqui me dizer o que quer com essa palavra “acabar” que meu coração não aprendeu a traduzir. Abre de vez esse jogo e toma uma decisão antes que eu o faça e todas as partes saiam perdendo. Acredite, eu sei me retirar quando chega a hora, percebo quando não dá mais pra mim. Seja lá quem for o culpado, nós dois vamos carregar o fardo, esse arrependimento que já posso ver nos seus olhos agora. Leia de novo nossas conversas, lembre-se das promessas que você não cumpriu, grave bem o quanto você me elevou para o topo das suas prioridades para depois me empurrar ladeira abaixo. Não me venha com discursos falso-moralistas de que eu só lembrava quando você esquecia, estive do seu lado quando tudo desmoronava sob sua cabeça e até você reconhece isso. Dê-me logo a desculpa que preciso para dar um basta nisso. Desencantou, o amor que você pensava ter acabou, e que eu posso me esquentar com outros corpos, me lamuriar da vida na companhia de outras, conseguir um novo motivo para escrever e até arranjar um relacionamento real e não essa mentira que estamos vivendo nos últimos meses. Então eu paro e penso, tão mesquinha, tão meio termo, tão vítima da própria existência, você não é tão santa quanto gostaria de ser e nem tão diabólica quanto pensa que é. No jeito que me paga de surpresa, desprevenido e sempre pronto para dar o braço a torcer. Caio nessa armadilha sem volta, um masoquista que atende às suas fantasias promíscuas. Isso soa maquiavélico suficiente pra você? Eu que sou fraco demais para reagir, pois toda vez que olho olhar de menino abandonado, cachorro sem dono, é você quem está lá para me salvar, pra impedir que eu me torture da dor que você mesma causa. É que quando eu não estava bem, era sempre a você que eu recorria, e agora que eu não estou bem por causa de você, não sei mais quem procurar. 

 Whatever happens tomorrow, we've had today.

segunda-feira, 9 de julho de 2012

No divã

Tenho sérios desvios de comportamento, doutora, sei que você ouve coisas do tipo todos os dias, mas eu só soube começar se fosse assim. Isso, conserte a postura, talvez você se canse um pouco, acontece que eu ando meio assim ultimamente, como se todos estivessem cansados, fadados da minha presença. Sabe como é? Sentir que está ocupando um espaço imenso e ao mesmo tempo se sentir minúsculo dentro da própria existência? É confuso, nem sei dizer ao certo até que ponto isso é real ou simplesmente produto da minha imaginação. Acontece que eu sou muito inventiva, doutora. Conheço dezenas de pessoas, reais, até certo ponto, algumas delas me enlouquecem de verdade, mas não são elas, é uma projeção, que de certo eu que criei. Não, não aposto na carência, sou muito autossuficiente, porém sofro de transtornos de realidade, eu não confio em gente. Sim, qualquer coisa que se mova, que fale minha língua, que tenha essa capacidade de me consumir por dentro, eu não confio. Insegurança? Provavelmente, doutora, é um caso a se pensar, não faço ideia de onde vem isso, eu costumava ser mais decidida e determinada, lutar pelo que quero, mas ando tão desfocada, longe de onde meus pés firmam e não faço nada para mudar isso, deixo só a mercê dos outros, que passam apressados na rua e me empurram de um lado para outro me deslocando do centro até que eu fique isolada, largada e finalmente esquecida. Se tenho muitos arrependimentos? Ora, a maioria dos que eu deveria ter não tenho. Sinto culpa, o tempo todo por coisas que fiz, pelos estragos que causei, mas arrependimento mesmo? Deus que me perdoe, tem vezes que me pego pensando no monte de estupidez que fiz e morro querendo voltar praquele lugar, praquela pessoa só pra ter aperfeiçoado mais o momento. Talvez seja essa a definição mais exata que consegui até agora: aperfeiçoar o que já está errado para diminuir o arrependimento e aumentar a culpa mais ainda. Eu sei, doutora, estou dando nós desnecessários na minha cabeça, e você já deve estar cheia da minha falta de clareza, vou tentar ser um pouco mais objetiva. Deve ser masoquismo, pra dizer o mínimo, fico triste por vício, assisto de arquibancada o que me mata de ciúmes e nem pisco o olho, pelo contrário, finjo cínica que está tudo bem ao mesmo que por dentro está tudo desmoronando. Entende? Eu não preciso de exército nem armas para começar uma guerra, basta um litro de vodca, um coração em pedaços e a solidão do meu quarto. Às vezes eu até assisto um filme, só que não ligo a TV, deixo as cenas de horror passarem aqui dentro mesmo, sinto medo, falta e uma tristeza que ninguém dá jeito, ninguém exceto quem causou essa anarquia. O problema da dor é que você quer ser consolado por quem te machucou. Você acredita mesmo nisso? Que existem pessoas desesperadas por atenção? Existem, mas essas pobres almas sempre esperam a atenção de alguém específico, no meu caso, esse alguém tem nome, endereço e uma lista de coisas que deixaram a desejar, uma pilha de cartas e promessas falsas, uma mudança no quadro geral da minha rotina. Está dizendo que chegamos ao ponto x? Pois digo que tenho várias dessas incógnitas que não foram solucionadas na minha vida e sinto que esta é mais uma e a mais problemática de todas. É, doutora, uma bomba relógio que não tem hora marcada para explodir. Eu estou adiantando o inevitável, é isso o que eu sempre faço, você está certa. Só que tem coisas, essas que crescem dentro da gente, criam raiz e que se tornam impossíveis de serem arrancadas. Sei que estou tampando o sol com uma peneira, me dividindo entre o seguir em frente e fingir que está tudo bem e arriscar mais ainda a satisfazer meu desejo doentio de querer o que está fora do meu alcance. Acontece que optei pela segunda opção e arruinei tudo, comi o fruto proibido e estou eternamente condenada a viver no inferno que eu mesma criei. Eu poderia ter permanecido com a minha lucidez, doutora, mas a realidade não me atrai. Prefiro continuar nesse toma lá da cá do que tomar uma decisão, sim, talvez eu seja uma indecisa por natureza, já mencionamos isso, mas daí admitir o que eu sinto? Seria me autoviolar, não? Acho que estou sujeita a viver de relações unilaterais, de me provar uma louca, promíscua que coloca tudo a perder e não pensa direito. Onde acha cura pra isso? Pra qual lado eu vou se eu quiser correr atrás? É, doutora, acho que encrenquei você.

terça-feira, 1 de maio de 2012

O que sempre acontece, de viés

Amontoada de cartazes e garrafas vazias, meu cômodo é aquilo que se pode esperar de um frescor adequado para o meu momento distraído, numa estranha inadequação. Aliás, eu até tragaria um cigarro agora, para dar um ar mais distraído. Atravesso de novo e de novo aquela velha avenida, vou ouvir um rock brega naquele bar de sempre, invento o meu segredo. Ele chama o garçom, pede mais uma rodada e eu me disperso na curiosidade de saber onde aquilo vai dar. Na minha já aceita condição de “outra”, concordo ficar mais um pouco, já não tenho receio nem uma gota de dignidade. Se meu julgamento final for dentro da minha cabeça, estou eternamente condenada. A fraqueza não me deixa reagir e eu recaio aonde quer que os braços dele apontem, isso é verdade. Invento desculpas pra mim e pra ele de porque eu não vou embora, minto que preferia estar em qualquer outro lugar. Atenho-me a necessidade de dizer o que não deve ser em alguma hipótese dito, não por mero pudor, mas por aquilo tudo já ser um assunto morto enterrado e que ninguém ali iria dançar depois da música já ter terminado. Enquanto isso, ele tenta descobrir meus segredos, por que razões não sei. Pode ser por verdadeiro interesse em desvendar essa minha alma que erra em sentir ou apenas para me ganhar com seus falsos encantos e ter alguém para esquentar sua cama hoje à noite. Claro que ele pode escolher algumas amandas ou letícias por aí, e a dúvida é que me prende àquela cadeira em sua frente enquanto ele conta qualquer história sem valor e enche sem medo meu copo de mais vinho. Estou um pouco ébria e sei que meu segredo é mentir desesperadamente que não gosto dele. Como se não aliviasse um pouco o peso do mundo estar ali desfrutando daquela companhia, como se minha vontade não fosse de que ele surpreendesse com qualquer gesto brusco que me tirasse o fôlego. Gosto do jeito dele ignorar o celular tocando, mas sei quem o procura e isso me traz de volta a realidade. Estou tomando proveito de rédeas alheias em que não posso controlar. Será o vinho? E me aborreço por vício. Congelo de ciúmes e a primeira reação é o silêncio. Depois a súbita ameaça de ir embora. A minha insegurança o faz rir e dizer que não passo de uma menina boba. Não passo de uma menina boba, angustiada, de punho e mãos fracas que não sabe tocar seu coração nem desatar seus nós. A história se repete. Uma semana sendo amante de meninas, mulheres, amando-as, despenteando cabelos e sentimentos. Toda essa voracidade vem parar sempre no mesmo porto. Uma sexta-feira cinzenta, com uma estranha conhecida, que pensa que conhece, mas não a vê. Uma noite de música velha e vapores de bebidas baratas, caminhadas ao vento frio noturno sob calçadas enlameadas de fumo, resquício de chuva e buracos. Ele canta uma canção que me toca e envolve. Uma canção que quase me faz acreditar e aceitar que o amo, mesmo em toda informalidade existente ali naquele pequeno espaço entre nós dois. De repente sou tomada pela esquisita satisfação de estar onde queria estar. Ele me tocando, eu acoberta de um abraço que me dá a sensação de ser de verdade, aquilo, aquela confusão. Fui seduzida de novo para aquela ratoeira e me deixo enganar. Estou esperando a qualquer momento uma renúncia, mas ele não me machuca, ele continua me fazendo crer naquela realidade inventada. Permanece me suportando, não recusa o abraço. Eu sinto uma febre, medo e me vejo apática. Ele finge que acredita, mas não solta, não alivia essa corda envolta do meu pescoço e demonstra indisposto a me deixar ir. Dessa vez sou eu que finjo que acredito. Sorrio meio exagerada, o álcool e todo o resto já me subiu a cabeça. Vou embora, esqueço o celular desligado dentro da bolsa, perco as chaves de casa, abandono a cidade e percebo que não queria te deixar sem antes te dizer tudo isso. Que nem eu sei. Encontro ele vazio, olhar distante na janela do meu quarto. A batida violenta da porta deve tê-lo chamado atenção, pois ele se virou pra mim ao mesmo que eu encarava o chão numa tensão, uma exustão imensa. A indecisão de não saber se queria sair fugindo daquele inverno que se fez no meu cômodo ou de ficar e vê-lo incendiar o que ainda me sobrava, amansar uma antiga fera com beijos enternecidos. Eu não queria estar em outro lugar, imagino o final daquela noite em complacente perfeição e tomo a última taça de vinho num gole só. O peixe morre pela boca.

sábado, 21 de abril de 2012

Entoando velhas notas

Essa é provavelmente mais uma dessas cartas que depois de uns rabiscos vou amassar e jogar contra a parede. Eu não queria te atormentar mais, sabe-se lá como vem sendo sua vida nesse último ano, e nos outros dois passados, o que me alivia é poder descontar toda a minha tristeza em mim mesma de forma que me convença que lá no fundo você sabe o que está se passando. No fundo você sabe. O que não dá pra entender é como nós nunca nos cansamos de jogar esse jogo de farsas e silêncio mútuo desses que quando o frio aperta, bate feito soco no estômago.
Estou condenada a viver achando resquícios do passado em toda esquina por onde passamos, em todo verso solto talhado como que para assombrar ainda mais meus dias achando que cada passo meu é assim por uma razão e que quando coloco na minha cabeça que tem a ver com você, nada é por acaso. Sempre fui daquelas que se confortam na própria imaginação e prefere o mundo raso dos sonhos a acreditar que algumas coisas são realmente de verdade. É mais fácil me guiar por caminhos que nós já traçamos, sem muitos esclarecimentos se já passou ou ainda é apenas cedo demais pra saber, do que me jogar num mar inexplorado onde sei que não consigo nadar.
Engano meu achar que eu poderia ser a chave das respostas da sua vida. Estou condenada a servir de reserva quando sua ignição der prego. Essa é a hora em que você, até então distraído, quase que relaxado tragando uma fumaça do seu cigarro, se volta contra mim usando um tom grave e vocifera com urgência que eu sou uma louca desvairada que não sabe viver sem ter sua dose diária de atenção e que eu não faço a mínima do que é ser esquecida quando o que se mais precisa é de um abraço que te faça esquecer o resto do mundo. Pois eu sei. Sei muito bem a sensação de não ser sempre a primeira, lição dada, graças a você. Nunca vou te perdoar por ter me ensinado isso do jeito mais amargo, me deixando uma viciada em solidão, já que todo o resto me leva a essa estrada direcionada ao mesmo beco sem saída.
Venho buscando alternativas, me metendo em relações tão perigosas quanto, contando a história da minha vida para o primeiro que aparece perdendo seu tempo dando-me um pouco de atenção. O problema em eu me abrir demais pra alguém é que quando me dou conta do estrago, já estou à beira de um precipício, pronta pra pular. E eu me deixo sim, iludir por toda merda de traste que aparece.
Não sei o que fazer quando o que me faz forte é a mesma coisa que me mata aos poucos. Você foi meu porto seguro e isso reduz minhas chances a zero de ser salva já que entre nós só restou um monte de palavras não ditas e um distanciamento que não se explica nem em mil frases feitas que eu tentar fazer. Fico repetindo versos de canções pra ver se você volta ou mesmo escrevendo cartas que nunca serão enviadas, me perdendo nas chances que eu deixei escapar. E tentando me convencer que esse tipo de distanciamento não se espera, se corre atrás. E não me convenço e não corro.





- Eu disse que a amo tanto, que até dói.

- Sim, tudo bem.

- Eu disse que dói... amar você.

sábado, 14 de abril de 2012

Uma contida reflexão

Outro dia entretida numa conversa despreocupada com uns amigos, daquele tipo que faz a gente rir e esquecer um pouco do peso da própria existência nesse mundo pregador de peças, uma senhora apareceu pedindo dinheiro para comprar remédio pro filho doente. Não sou muito do tipo que reflete sobre essas causas sociais perdidas ou bate boca por aí defendendo os direitos humanos. Mas sabe quando dói ver alguém uma situação visivelmente diferente e passando por dificuldades inimagináveis, esse tipo de coisa, que faz dos nossos problemas uma série de bobagem leviana? É, não tá fácil pra ninguém.
Acho que cansei de sofrer a minha dor e comecei a sentir a dor dos outros. Eu quis abraçar aquele acontecimento como quem tenta agarrar pra si algo que estar prestes a ir embora. Eu tive várias vezes esse sentimento de revolta com a injustiça que acerca todos os dias nossa vida e o fato de todo mundo achar normal ver uma velhinha pedindo dinheiro pra tentar salvar alguém importante pra ela. Quantas noites eu passei insone tentando expurgar de dentro de mim lembranças insolúveis de pessoas que eu julgava essenciais que não tiveram a decência de lutar por mais uma chance? Eu penso no que eu estaria disposta a fazer se a vida de algumas dessas pessoas tivessem em jogo.
Ninguém pensa nisso. Só quando vê de perto e por um momento de comoção pensa que o mundo poderia ser um lugar melhor se cada um, começando dali, fizesse sua parte. Não vou ser hipócrita, também faço parte do grupo dos acomodados de coração mole que se importam e nada fazem para acabar com esse estado de acomodação. Tapo o sol com a peneira e confesso que uma pilha de nervos me consome ao me deparar com gente o tempo todo reclamando da vida miserável que não tem.
Falta tempo, recurso e boa vontade. O sentimento fraqueja e convence a nós mesmos de que só isso já é o suficiente. A verdade é que compaixão nunca encheu barriga de ninguém, nem complacência basta para salvar uma vida. É preciso resgatar de lá do fundo o que está perdido. Uma tostada de coragem, já que não se pode salvar a si mesmo, que invista em algo mais e não dê por causa perdida o resto dos dias. Eu quero lembrar de pegar na mão da próxima vez que alguém virar as costas pra desistir, que se é pra afundar dentro desse mar agitado, que não seja pra navegar sozinha mais uma vez.

sábado, 31 de março de 2012

Na minha coleção de pedras

Vou começar a jogar pedras em todos que se puserem na minha frente mais uma vez tentando me subjugar, porque ameaçar não tá adiantando mais.
Todo mundo vive criando regras do tipo cunho recíproco, todos vivem na ilusão de serem um pouco melhores do que aquele rosto vazio que encara o espelho a cada manhã, depois que o despertador toca, como que um botão automático ativando a vida para mais um dia. Se diz bom dia para ser educado, quando lá no fundo está desejando que o mundo inteiro se exploda.
Não é assim? Se você não se encaixa, por favor, pule para a próxima página da web, eu não sigo padrões e nem dou risada por obrigação, o meu maior defeito talvez seja fazer apenas o que me dá vontade e medir esforços apenas por quem eu ache que mereça e às vezes nem merece.
A verdade é que me dá uma enorme preguiça de avaliar cada passo, vigiar cada palavra, como se eu fosse uma grande desocupada que vive de inventar farsas só porque é legal e é o que seria supostamente aceito por esse grande e ridículo círculo de pessoas que vivem ao meu redor, como urubus só esperando uma falha pra cair em cima.
Estou nessa não é por ingratidão nem por rancor exacerbado, porque até onde eu me lembre, ninguém nunca levantou um dedo por mim e pra ser sincera não estou esperando um grande milagre acontecer, acostumei com a vida assim, íngreme, doída, às vezes um pouco insólita, mas exatamente assim.
E vezenquando, eu perco o sono, rolo de um lado para outro ouvindo vozes inflamadas me dizerem que no ritmo em que ando afastando todos, vou acabar isolada, pairada diante da minha própria solidão. Não entendo como pode ser tão difícil perder-o-controle-da-situação e deixar-escapar-pelas-mãos essa corda que era pra guiar a gente pra um lugar melhor, para onde tudo fosse mais claro e a simplicidade não fosse coisa da imaginação.
Mas com tanta coisa na cabeça, é possível lembrar de ser um pouco mais de mim mesma?


[Try again - Keane]

sábado, 11 de fevereiro de 2012

Laço tão apertado parece forca


Caminhando, tentando traçar alguma direção nessa estrada, a passos lentos, calmos, temendo apenas ao destino, nada mais assusta, se não o fim. Mas acaba que se acostuma e continua, não vai parar mas ops... Algo deu errado? Perdeu o rumo, minha filha, se intimidou com a realidade, estagnou?
Eu perdi um pouco desse ar poético que entrava e saía pelos poros e me cobria de uma vertigem meio doída, meio distante. Pés no chão, volto a repetir, menina, você tem que ter os pés no chão, se não você cai ou você voa. Volto a pensar nessas coisas que falam por si só, mesmo contra a vontade, elas chiam baixinho no ouvido e alimentam o inimigo da razão. E se.
E se os caminhos, aqueles que vivo comentando. E se eles fossem paralelos, e se nunca precisassem se cruzar ou quando se cruzassem não precisassem se desencontrar? E se amar fosse sinônimo de ficar junto e se sonhar fosse combustível suficiente para força de vontade? Novamente contrariando a minha própria regra. Novamente no mesmo dilema de achar que foi sem que tivesse sido, contorcendo a verdade, enfeitando a realidade e dramatizando minha vida mais do que nunca. Nem eu, nem você, nem nada nem ninguém foi essa coca cola toda.
Não me peça pra procurar se não quer ser achado, não plante mais dúvidas, eu tenho uma vida inteira para me ocupar. Não seja tão evasivo ao ponto de tirar a confiança que eu andei buscando esse tempo todo. Egoísta, sempre tão egoísta, pensando na própria dívida, nos seus problemas mal acabados. Saiba que eu nada mais tenho a ver com suas complicações, nem mesmo restou algo que dê sentido a suas desculpas, nada me restou desde.
Comprometi-me a não dar mais queixas, mas acabo por não resistir e sim, eu penso em você. Era isso que queria saber? Satisfaça seu ego, se encha de vaidade e depois corra para seus refúgios mais confortáveis, quentes e seguros. Era apenas uma prova? Esteja ela aí na bandeja, prato principal. Sirva-se.
No que eu estava falando mesmo? De repente entro nesses assuntos isoladas e perco o foco. E não pense que não é assim na vida real também. Comecei falando das inquietudes da minha mente, mas acabei retornando ao ponto x da questão. A grande incógnita, o grande “e se” da minha vida.
Eu quis tanto você do meu lado, eu lutei tanto para conseguir que acabei fazendo tudo ao contrário. Chega a ser engraçado o quanto é inútil continuar lutando, se não para voltar quanto mais para esquecer. Eu já entendi o recado: meu bem, não adianta. Quanto aos caminhos, isso eu nunca vou entender, mas seguir o oposto, talvez tenha sido a única saída.

segunda-feira, 23 de janeiro de 2012

Dark days are over?

Tenho plena consciência das inquietudes da minha mente, do meu medo incorrigível do escuro e do descaso que trato minhas emoções, como se fossem descartáveis ou pudessem se renovar a cada novo incidente, como se cada vez que o humor dos outros sofressem uma alteração eu fosse obrigada a estar de acordo e aceitar de cabeça baixa. E eu aceito.
Perguntam onde está minha convicção, pra onde foi parar a porra do amor próprio e em que rumo se meteu a pessoa de pés no chão que conheciam. No lixo. Tudo o que eu fiz e fui, foi parar no lixo, é assim que ando me sentindo. Não importa o quanto eu tenha lutado contra esse alguém que não suporto e ao mesmo tempo não consigo me livrar, porque esse alguém aqui dentro de mim sempre retorna. Nada que eu faça, porque eu já tentei outros ambientes, outras músicas, outras tribos, outros para amar, mas algumas pessoas não sabem a hora certa de sair da nossa vida.
Fica martelando. Está estampado e escachado a forma como o sentimento vai, mas não volta. E fica no ar a questão de que estamos vivendo, mas a troco de quê? Eu queria tanto que pelo menos uma vez eu fosse a parte da história que amasse menos, que conseguisse se desligar por alguns momentos na intenção – ou na falta dela – de fazer alguém notar a existência do meu lado mais blasé. Queria parar de me recriar na expectativa de agradar a quem eu sei que apenas finge se dar conta ou que realmente já esqueceu.
Têm dias, desses que o telefone não toca e nem a campainha chama, esses dias frios vêm e vão com uma grande interrogação que muitas vezes não explica o motivo de eu ainda não ter enlouquecido por ser sozinha. Desejo o tempo todo poder depositar meu afeto e confiança naqueles que me dão reais razões para fazê-lo. E mais que isso, levar a sério a filosofia do desapego e pregar isso não só por ser uma farsa elegante que sustenta meu orgulho. Está mais do que na hora de colocar três palavrinhas mágicas no meu vocabulário sem graça “let it go” e unir, antes de mais nada, à outras duas que necessitam mesmo de superação: dark days. E de uma vez por todas colocar um fim pra deixar que só as lembranças boas ficassem. Como se só as más lembranças doessem. Mas assim como algumas canções, versos entalhados e semanas intermináveis, existem pessoas que já deram o que tinha que dar.

segunda-feira, 16 de janeiro de 2012

Palavras duras da noite

Esse não era bem o jeito que eu esperava começar meu ano. Ainda tenho comigo o pensamento de que lembrar você, escrever sobre você nunca me deu muita sorte, nunca me fez bem algum, especialmente agora, que querendo ou não, uma mudança no calendário renova a possibilidade de se ter mais, de querer mais e ter esperança no melhor. Eu tenho esperança, mas surge essa dúvida acabando com todas minhas chances de ter paz. Então questiono a você agora: defina o que é melhor pra mim. Sem sua presença, meus dias parecem fatiados. Um pedaço serve, outro nem tanto, outro deixa a desejar, alguns se destacam em meio a sorrisos improvisados e histórias amenas, que ganham um significado indiferente com um sabor de interesse forçado. Além do mais, eu nem sei mais o que dizer, você já tem todas as repostas, sabe o que estar por trás desses meus gestos cansados que já perderam o antigo exagero, já amorteceram a fúria constante e nem mesmo encontram palavras pra definir esse embaraço de frustrações revoltas e a vontade de querer seus braços ao meu redor de novo. Eu já entendo que nós dois talvez tenhamos aceitado que viramos vapor depois do incêndio. Só restou aquela fumaça meio embaçada, meio sem resposta, meio. Estarei logo indo embora, pensando mais uma vez que essa foi a última. A última vez que me odiarei por sua conta. Que insistir está sendo a pior das minha dores de cabeça, da minha insônia nauseante e desse pesadelo interminável. Embora a dor não lateje mais e que a falta sua não me impeça de seguir em frente, eu embarco nessas viagens ilusórias e é inevitável que eu sofra como se a ferida ainda estivesse lá, pulsando e flamejando na minha mente, envenenando os meus dias e pondo a perder tudo que eu construo na esperança de que eu ainda volte a ser eu mesma. Aquela que eu conseguia aturar, aquela que não buscava motivos para fraquejar, aquela que você costumava amar. Acho que se você soubesse, riria tanto da minha cara. Se soubesse desse meu apego ridículo por aquilo que nem se digna a prestar atenção nas minhas tentativas desesperadas de ser aceita ao indeciso. Das ameaças que eu mesma me faço no intuito de evitar confundir e plantar expectativas falsas ao iludido. Das encruzilhadas que vivo sonhando em me meter esperando a chance de topar com algo bom que vá contra as regras do resto do mundo. E nesse jogo o indeciso é você, o iludido sou eu e os encruzilhados somos nós.

"Mas aí lembrei, no meio da minha gargalhada, como eu queria contar essa história para você. E fiquei triste de novo."

segunda-feira, 19 de dezembro de 2011

Quando tudo começou

E alguma coisa dentro da gente sempre sabe quando é uma data especial. Sem querer ser melancólica, mas já sendo, eu me lembro, não exatamente como foi, mas me lembro de estar feliz de certa forma, por ter sido um dia que veio a marcar os anos seguintes. Pessoas entraram na minha vida, algumas se perderam no caminho, poucas realmente me fizeram chorar: dor ou alegria, pouco importa agora, acontece que se eu recordar demais, posso trazer à tona. Dor ou alegria. E sinto saudades. A época que constantemente meus espaços vagos estavam sendo preenchidos por algo a mais. Uma primeira vez, um novo amor, uma decepção, alguma surpresa de fazer o coração disparar incontrolavelmente. Foi uma era, sem dúvidas. E seu desfecho deu início a uma outra menos agitada, mais serena e sem tantos altos e baixos. Um meio termo que de vez em quando me faz sentir uma nostalgia alucinante de estar com os nervos à flor da pele novamente. Fico imaginando o que seria de mim se o significado dessa data nunca tivesse existido. Talvez estaria apanhando ainda mais da vida, eu não estaria tão preparada pra enfrentar certas situações e quem sabe pouco teria mudado. Sinto-me até meio realizada apesar de noites trancafiadas em quartos de apartamento por castigos eu me julgava desmerecedora. “Que culpa a gente tem em ser feliz?” Claro que toda felicidade tem seu preço e eu não importei de pagar o meu, mesmo que aquilo no momento tenha sido um pesadelo, hoje eu sei como valeu à pena. E veja só agora, nem corro mais tanto risco de ser posta pra fora de casa, quase nem faço mais coisas erradas, que tristeza! O sabor da minha juventude tem um gosto diferente no momento e talvez esteja melhor assim. Posso ter sido apenas uma criança tentando se encaixar num mundo de brincadeira que não me pertencia. Posso ter deixado de lado minha reputação, mas pelo menos eu estava seguindo no ritmo da música e enquanto a banda não parasse, estaria tudo bem. Pode nunca ter sido meu lugar no mundo, estar em ambientes proibidos com pessoas menos parecidas comigo do que eu percebia, mas não é isso que eu tenho comigo, e se eu é quem estiver errada? Não tenho vergonha, nem apego ao passado ou mágoa, só saudade.

Pelo menos o meu passado só me condena. E o seu que te prende?

sexta-feira, 9 de dezembro de 2011

Apesar de

As minhas mãos sobre as suas fraquejaram, a conversa afiou e no embaraço da espera, até meu coração indeciso quis enfim descansar. Numa dança incoerente, onde a gente nunca sabia que passos seguir, eu pude enxergar que talvez tivesse mesmo chegado a hora de enfrentar a realidade que me separava da sua. Não somos mais aquelas crianças que não sentiam peso nem culpa por serem irresponsáveis, por se embalarem em ruas cinzentas e se misturar na noite embriagados em meio a tanto cativo e cervejas baratas. Não carrego mais a mesma bagagem, sei tão pouco da sua vida e só nos aproximamos vezenquando numa esquina após fazermos uma escolha errada, depois de trancafiarmos algum sentimento e perdermos o controle das situações que a vida nos impõe. Sempre sendo tão pouco generosa com a gente, ela, a Vida. Desse jeito destacado, porque ela, a Vida, toda Ela, tem a ver com Você. Você maiúsculo, em letras garrafais e neon. Inevitavelmente, por mais que não me importe, por mais que a razão grite pra ter sua liberdade, é tão pouca a paz que me permito ter. Falta coragem pra dizer que nunca mais, falta pulso pra admitir que o passado só é passado por um motivo. Falta parar de lembrar datas, de tecer lembranças e acomodar esse eterno estado de depreciação. E todas as vezes que senti falta, que chorei e me odiei por ainda me atrever a ter saudade. As suas frases cheias de adeus ou na falta deles, eu deixei de me importar. Que te ver em dias não tão amistosos pode ser estranho, doloroso e que tenha no ar a impotência de um último encontro. Posso criar uma farsa bem ousada de que não me incomoda mais seus silêncios e que não vejo seus gestos como uma tentativa de chamar minha atenção. É certo que não dançamos mais a mesma música, nem estamos mais nas mesmas fotos, nossas vidas podem estar reviradas pro lado contrário, mas continuo a pensar que de alguma forma meio telepática, espiritual ou astral estamos interligados nessa relação incorrigível.

sexta-feira, 25 de novembro de 2011

Inércia emocional

Sabe quando, de repente você começa a notar que tudo em volta parece estranhamente incapaz de enxergar sua presença como um ser existente e dotado de sentidos; de fala, audição, pulsação e que certa forma percebe quando tudo está totalmente virando as costas pra aquela imagem que até então era pra ser alguém, no caso, você mesmo?
Sem querer reforçar nenhuma teoria da conspiração, mas parece mesmo coisa de outro mundo isso de as coisas não funcionarem ao mesmo tempo. Já fiz remessas de cartas de despedida, joguei fora objetos que até então em guardava apenas por apego ao passado, despachei os meus pesos diários, minhas lutas intermináveis contra o desgaste interior por qual eu vinha passando. Desapeguei, limpei, mas não posso dizer que estou em paz.
O que explica essa mania de ficar insistindo naquilo que já fez mal e sabe-se que vai continuar fazendo? E não foi uma nem duas vezes. Repetidas, incontáveis são as vezes que já me peguei por correr atrás dessas pequenezas que eu julgo serem essenciais. Imagino se vai ser sempre eu, nessa maratona solitária de querer alcançar o inalcançável ou pelo menos manter aquilo que sabe-se lá até quando vou conseguir ter sem que escorra pelas mãos.
Pedi férias desses fardos que atrasam tanto minha vida, dessa rotina fatigada, de ficar pisando em ovos pra não ter que contar com a dor depois. Eu não sei mais o que fazer com tanto menosprezo e ofensas soltas no ar como se tivessem anticorpos dentro da gente pra fazer curar sempre que se despeja esses baldes de água fria que envolvem, amordaçam e fragilizam. Sim, meus amigos, eu não passo de um ser simples e frágil, que não ganha importância nenhuma, ou pelo menos é assim que se sente diante dessa inabalável indiferença dos outros. Mais parece como se quisesse confiar e buscasse isso com unhas e dentes, mas não dão razões e nem procuram isso de volta.
Ainda que eu aplique defeitos, contradições e frases mal faladas dentro do que chamam de motivos-pra-explicar-minha-reação-meio-alérgica-meio-repulsiva-com-o-resto-do-mundo, não vou entender como alguém que por um momento achamos conhecer a alma, vira um completo desconhecido de uma hora pra outra ou como podemos achar falhas e faltas nos dias mais felizes e o fato de se estar acomodado, mas sem nunca contentar-se. É o que se chama de inércia emocional. Venho sentido muito isso, acho que posso chamar assim, esse estado de constante conformismo que nada acrescenta, estimula ou inibe, e ainda assim, é inquietante. Quando não há nada pra fazer perder a cabeça, mas à noite te tira o sono. Quando o silêncio é mútuo e ainda assim se entende a mensagem. Quando o esquecimento que leva ao aprender é, na verdade, doer lá no fundo.

sexta-feira, 18 de novembro de 2011

Desapaixonadamente


Pedi tanto para que algo de diferente acontecesse na minha vida, algo que não fosse esse aperto desgastante no peito, o vazio que, de propósito, você deixou aqui. Nem por um segundo tentei me livrar das mordaças em que estive presa. Por que razão eu iria querer deixar pra trás o único elo que ainda tínhamos? Nem que fosse apenas dor, ainda era o que você tinha deixado pra mim. E abrir mão disso, impossível.
Nem sei se é uma confissão, mas estou aqui agora confessando que não ando mais chorando. Nenhuma gota de lágrima de tristeza por causa de você, tampouco de felicidade, porque veja só, alguma coisa aqui adormeceu. E por mais felizes que alguns dias possam ser, é sempre pela metade que eles terminam. Sem coração pulsando acelerado contra as cobertas da cama durante a noite, sem ansiedade por um novo dia. Não há nada para se esperar.
O telefone nunca mais tocou. Acho que as pessoas desistiram de animar alguém que não quer ser consolado. E a desolação, por mais triste que seja, às vezes consegue fazer algumas surpresas. Ontem eu senti um calor velho conhecido meu que me fez ter certa esperança de que nem tudo estava perdido. Será que a morte de um amor pode deixar brecha para um novo pintar? Não, meu bem, não é isso, eu ainda me sinto meio adúltera em pensar em uma nova paixão, veja só o quão ridícula sou. Algumas coisas nunca mudam.
Eu parei de me sentir feito um animalzinho ferido se escondendo pela escuridão afora, mesmo tendo certas horas da noite que sou pega tendo vislumbres seus. Só que saudade, eu nem sei mais se essa falta pode ser chamada de saudade. Uma parte minha sabe que não quer você de volta, mas outra insistentemente não desiste.
Sei que estou praticamente indo pelo mesmo caminho, tentando dar continuidade a algo que não vai se concretizar ou criando novas ilusões, tentando achar uma escapatória mais eficaz. Não é assim que funciona, nunca foi, então qual é o problema em desapegar dessa emoção dolorida e se entregar numa outra, ainda que irreal, mas que não envolva os meus sentimentos referentes a você? Acabei de me contradizer – de novo. Eu tinha deixado pra lá, era esse o acordo.
Vai se esvaindo então qualquer tentativa de aceitar, quem sabe, uma proposta duvidosa ou até mesmo oferecer algo que eu sei que não posso dar, tudo pelo prazer momentâneo, pela filosofia de vida que me propus a seguir “pisar nos outros antes que eles te pisem”. Eu costumava gostar de tudo isso, dessa despreocupação a favor de um estilo de vida mais casual, mas nem lembro quando foi a última vez que abandonei a segurança do meu lar para me embrenhar na noite da cidade, me deixar à mercê de correr riscos, me aventurar e não ter medo do dia seguinte. Você me envelheceu precocemente, meu bem.
E então por mais que eu queira uma novidade na minha vida, parece que sempre tem você, essa pedra no meio do caminho. Vou trancar em alguma caixa a mágoa que sobrou e jogar a chave fora. Posso seguir, talvez não tão tranquilamente, um pouco mais dolorida, bem mais dura, e com uma esperança amargurada de que talvez você ainda me encontre numa farra, no meio de vários novos amores de mentira e que sinta a mesma certeza que eu sempre tive: minha alegria nesse mundo nunca foi real sem você.

sexta-feira, 11 de novembro de 2011

Ninguém pra ficar

É como se eu fosse sempre obrigada a fazer parte de um filme antigo que já enjoou. A cena se repete, o elenco é o mesmo, só mudam os personagens. A equipe de produção é incompetente o suficiente para não reparar os erros. Então eu fico de mãos atadas, sem saber muito que fazer a não ser assistir os danos que eu mesma causei pelo meu irreparável descaso, minha própria dívida de favores não devolvidos e afetos não retribuídos. De repente passo de atriz ruim de uma peça de péssima autoria para uma das poucas na arquibancada, que está ali por algum motivo banal ou porque foi obrigada, não importa, o fato é que estou louca para ir embora pelo simples motivo que não aguento mais um segundo de melodramas falsos, de desenrolares cheio de tédio com emoções limitadas e de repertório deprimente. Estou com medo de sobrar, vendo tudo escorrer pelas mãos, as pessoas saindo uma por uma, exaustas de tanto desaforo e demonstrações de apoio rudemente ignoradas. Talvez eu tenha me esquecido. Pode ter sido distração, falta de tempo, pode ter sido até comodismo. Posso também continuar enchendo linhas de desculpas esfarrapadas para meu excesso de falta de atenção e o egoísmo descontrolado que insiste em se vestir de capa preta e fazer pose de vilão me retirando de cena da vida de todos que eu tentei manter por perto, por ser algo construtivo e bom a se fazer, porque ainda é o que completa uma pessoa e dá sentido na vida dela: ter alguém por perto e do lado: sempre. Tive que deixar partir. Estar ao meu lado não é reciprocamente saudável quanto é pra mim ter outros como ponto de força ou qualquer coisa assim. Quero desesperadamente acompanhar as pessoas que saem murmurando frases de raiva, mágoa e até deboche, “ridículo” e ainda “que perda de tempo”. Alguns saem chamuscando de tanto ódio, outros mal contém o choro e penso que talvez seja por esses que ainda valha a pena dar motivos para retornar, ou quem sabe já seja tarde demais. Eu quero sair também, quero me livrar desse peso junto com todo mundo, não quero ficar sozinha, mas sou impedida, não se pode abandonar o próprio roteiro.

domingo, 9 de outubro de 2011

Isso e ócio


Se perguntarem, meus pais têm uma história muito bonita pra contar sobre como se conheceram. Eles se encontravam as escondidas até que não aguentaram mais e fugiram pra se casar, porque minha mãe era muito jovem, minha idade, pra ser mais exata, e meus avós jamais aceitariam tal união. Clichê, porém inspirador, até. Quem me ver hoje em dia não perde a chance de dizer que vim de um amor de verdade, que tenho sorte. Só que em meio a toda essa história eu sou só o resultado, o final, aquele que dispensa o felizes para sempre.
Ontem à noite eu saí, conheci pessoas, nada de importante. Sem contar que não me lembro da última vez que me diverti pra valer. Chego em casa com mãos e coração abanando, exausta de ver o mundo lá fora, gente levando suas vidinhas como se cada dia fosse o último, mas pelo menos eles estão amando, se ferrando, se drogando, pelo menos estão vivendo. E eu, eu tô só aqui parada esperando por-não-sei-o-quê-não-sei-quem.
Dá vontade de desistir. De jogar tudo pro alto. E esquecer que tenho planos, que tenho sonhos, que tenho promessas não cumpridas com as pessoas que ainda me sobraram. Mas a barra é pesada e é tão pouco tempo que nos dão pra conseguir todas essas coisinhas básicas como entrar na faculdade – e ai de você se não for o curso que seus pais querem  arranjar alguém, e depois, bem depois, ter um emprego, construir uma família. E o agora, nesse instante, não ganha espaço nenhum nessa correria de querer o que está sempre na frente.
E ainda que eu tentasse fazer parte do grupo dos que vivem-até-a-última-gota, provavelmente seria um fracasso. Ao contrário do que pensam por aí, eu não tenho sorte, nem bom-senso e nem ninguém disposto dividir comigo, sei lá, uma vida, talvez. E mesmo que eu saia por aí, que eu tenha minhas revoltas sem causa e consequência, que eu continue fingindo, fugindo, quem eu estou enganando, afinal? Por quanto tempo ainda terei que esperar? Esperar algo correr bem, pra que eu possa finalmente enxergar que estar aqui tem seu preço, mas que mais cedo ou mais tarde valerá à pena. 

sexta-feira, 23 de setembro de 2011

Contramão

Nada como acordar um dia e se perceber totalmente acomodada. Sentei, calei, não ousei uma palavra contra sequer.  E, entenda quem for capaz, mas deixei assim, quietinho, porque cansei de tudo o que me sufoca, que me dói e que não me acrescenta nada que valha a pena. Não quero mais ouvir esses discursos falsos moralistas me dizendo o que é certo e muito menos decisões alheias que falem por mim o que se diz ser melhor.  Saturei, meu caro. Chamem do que quiser: insensatez, revolta, covardia, indiferença, loucura boba e alienada, mas não bata na minha porta pra me dizer acho-que você-devia-seguir-esse-caminho-pro-seu-bem. Ora, achismos nunca levaram ninguém a lugar nenhum. Então só apareça com uma solução, que posso até pensar em te dar uma chance. Convidar pra um café, quem sabe. O que poucos imaginam é como ter que ir dormir e acordar com o pensamento a mil, com os ombros pesados pela carga de pressões diárias que são sobrepostas e que chafurdam minha cabeça. Não, nem ocorre o pensamento em todos esses envolvidos de que a minha paciência acabou faz tempo e que no meio dessa bagunça, nem motivos para estar nela eu consigo achar. Estou presa, não nego. Acorrentada, sem poder fazer nada, que por mais que eu queira me libertar, a consciência pesa, meu amigo, te obriga a voltar pra vida, fazer parte e ser propriedade dela. Mas como eu ia dizendo, nada disso vai me fazer render e ser escrava de todas as determinações propostas por ela, pela Vida. Não é que eu tenha desistido de sonhar ou desistido das pessoas, nem que tenha aberto mão do sentimento. Minha pretensão não é me esvaziar, apenas tornar mais leve. Sabe aquela coisa toda de viver e deixar levar? É disso que eu tô falando.

domingo, 18 de setembro de 2011

Amizade, Amiza, Ami, Am... Amor

Pra quem eu considerava não amar tanto, ele até que fez um estrago enorme. Mas volto a dizer, que nesse coração, onde prevalece uma luta constante em não deixar ninguém entrar, onde o medo de quebrar a cara impede que eu me entregue a qualquer uma dessas paixões que pintam vez em quando e de onde vem todo o orgulho que me afasta dos infortúnios, mas que também me mantém distante do que procuro alcançar – esse coração espera um dia encontrar um motivo pra nascer e crescer de novo.
Estou sempre largada, redimida e partida em pedaços, deve ser coisa de dentro da minha cabeça achar que vivo abandonada num canto imundo, abraçada a própria solidão. E a que ponto de clichês chego em dizer que ela, Solidão, foi, se não, minha melhor companhia? Pelo menos hoje, que não estou esperando nada nem ninguém, me deixo levar pela saudade que certas pessoas e situações me fazem sentir. Muitas vezes por aquilo que foram ou deixaram de ser, não importa, o fato é que eu gosto de lembrar dele. Ele, que daquele jeito despreocupado e cheio de imperfeições me mostrou que não adianta bancar a distante, coração nenhum permanece fechado pra sempre.
É, mas nem gosto mais de ficar batendo na mesma tecla, escrevendo sempre sobre a mesma pessoa, as mesmas razões, só porque o nosso amor perdeu a noção, saiu do limite que foi imposto por nós mesmos. Não gosto de sentir esse gosto seco na garganta que parece algo como vontade, sei lá, arrependimento?  Eu não sei o que mais me dói, se é esse desejo de fazer de novo o que é proibido ou o que meu coração determinou ser errado. Nem mesmo sei dizer o que aconteceu, mas tenho plena certeza de que o que mais sinto falta é do que ele sempre foi, sem dúvidas uma companhia melhor do que a solidão que tenho agora. 

domingo, 4 de setembro de 2011

Eu pires, você prato

Foi em um dia claro, sem nenhuma expectativa, desses dias felizes que não imaginamos que poderiam mudar nossas vidas. Foi em um dia assim que te conheci. Não, não estou fantasiando, nem criando situações só pra ficar bonito. Foi exatamente dessa forma que você começou a fazer parte da minha história.
Você foi chegando devagar, sem que eu percebesse, foi ocupando todos os meus espaços. Não sei se você se lembra das tardes que saíamos sem destino só porque ficar junto era bom demais. Eu ia ansiosa te ver, já imaginando tudo que tinha pra me contar. Você dizia que viver em casa era difícil e que estar a par de problemas que não os seus era um tormento. Eu gostava de ouvir você reclamando que seus casos anteriores foram perda de tempo e que o maior erro que alguém pode cometer é esperar que alguém a mais venha e resolva sua vida. Fui aprendendo a deixar de lado minhas manias antiquadas, enquanto de mansinho você começava a abandonar a saída de sexta à noite pra ficar mergulhado na própria solidão. Eu estava quase chegando perto de ser a pessoa que sempre temi quando criança, mas por desejar estar do seu lado, fui afastando meus requintes e de lá do meu barzinho de domingo com os amigos jogando conversa fora, vez e outra recordava da vez que você me prometeu uma caminhada na praia. Gostei do seu jeito singelo de recitar O tempo rodou num instante nas voltas do meu coração imitando Chico Buarque e até me fez chorar baixinho algumas vezes ao lembrar daquele dia que você cantou no meu ouvido um trecho de Caetano me chamando de Leãozinho.
Você, requisitado por tantos outros e com sua mania de maturidade foi se perdendo cada vez mais no seu mundinho. Nem cartas de amor eu recebo mais. Nem uma única explicação de que sua estada era passageira e que só veio aqui pra mudar meus roteiros e adeus, fique bem, esteja bem. Nada. Eu, obrigada a suportar nossa distância assustadora, fui me tornando tão você que não consigo mais reconhecer o rosto que me olha no espelho. Você, sem saber de mim deve adivinhar os meus temores em sempre encontrar um resquício seu em qualquer lugar. Eu, não encontro nenhuma maneira de simplesmente jogar no lixo um passado, que apesar de não querer me deixa seguir em frente, foi parte, como é que você dizia mesmo? De uma história pra contar.

sábado, 27 de agosto de 2011

Sobra tanta falta

Antigamente não era tão comum, mas agora todos os dias sou invadida por sensações nada agradáveis de quem a muito está coberto por um vazio irrefreável. Por aqui vou suportando as pessoas com sua superficialidade, as boas e efêmeras emoções, observando como nada parece realmente acontecer. Sempre fico me questionando sobre pra onde foi parar o diferencial, cadê a essência, cadê os planos saírem do papel, onde estão as boas lembranças além de uma velha esquina do passado. Cadê o tal do amor, aquele que cansei de tanto sonhar.
É que eu cansei de procurar. Procurar nesse vão enorme alguma coisa que faça diminuir esses buracos. É pior do que procurar agulha num palheiro, porque sempre tem alguma coisa que sufoca, que te puxa pra trás e te impede. Uma dor, uma expectativa que não se cumpriu, um excesso de falta. Só queria sair desse posto medíocre de objeto a qual todos ignoram, dá pra entender?
Vez em quando há momentos raros que me apego à esperança de que quem sabe nem tudo esteja perdido e os pedaços, esses que foram se perdendo no caminho, comecem a voltar aos poucos. É certo que nunca me dei conta da completude que minha vida sempre foi, mas será se era preciso me mostrar desse jeito destacado em letras garrafais e neon que um passo em falso e lá se foi tudo de bom que eu já tive. Mas tô aqui, ainda que aos tropeços, assistindo a vida me tirar mais e mais. Resistindo e desejando que passe logo, mas não passa. O meu grito de desespero soa incontido, alarmado e mudo, porque por mais que eu queira, ninguém vai ouvir.
Perambulo zonza durante a noite sentindo fome de algo que não sei o que é. Recaídas, tenho delas o tempo inteiro, por tudo, por todos e por algum motivo elas não me fortalecem. Era pra ser assim, tá escrito em algum lugar, mas não é. Não quero que pensem que estou me fazendo de vítima, querendo me recobrir sobre o próprio sofrimento, não quero provocar esses sentimentos sórdidos de pena que qualquer um possa ter. Talvez quem eu quero atingir nunca ouça meus gritos desesperados ou nunca leia minhas cartas borradas de arrependimento.
Por mais que eu utilize de todos esses artifícios básicos para me mostrar forte, uma noitada sempre acaba em porre, um amigo sempre decepciona e uma paixão de poucas horas sempre abandona. É como se eu fosse obrigada a me render a essas solidões e deixar de negar a mim mesma as vontades absurdas que tenho de falar, falar, falar... Até, quem sabe, eu conseguir fazer entenderem, que minha indiferença nunca foi real, que tudo que levo aqui comigo é só um imenso vazio e que estou cansada de me esconder por medo de encarar a realidade lá fora.

Não sei, não. Não tá tudo bem pra mim se for sempre assim, deixei o futuro pra depois, tenho demasiado medo de pensar como que vai ser daqui pra frente.

07/05/2011